Rubens Burigo Neto
Enviado especial a São Paulo
Os micro e pequenos empresários brasileiros estão ganhando mais uma ferramenta para poder abocanhar um pouco do milionário mercado da Internet. O Serviço Brasileiro de Apoio à Pequena Empresa (Sebrae) lançou ontem em São Paulo o site de comércio eletrônico Via Sebrae (viasebrae.com.br). O investimento incial da entidade para o site, que já opera em Santa Catarina desde setembro do ano passado, é de US$ 3 milhões. Em 90 dias o Via Sebrae deve entrar em operação nos estados de Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Paraná, Rio Grande do Sul, Roraima, Rondônia e Tocantins. O Sebrae estima que neste ano o Via Sebrae deve comercializar mais de R$ 16 milhões.
No ano passado o comércio ‘‘pontocom’’ movimentou US$ 196 milhões no Brasil, segundo informação de Dagoberto Haijar, diretor da Microsoft no Brasil, que é parceira do projeto. Os Sebraes que aderiram à iniciativa vão pagar R$ 3 mil mensais ao Sebrae catarinense, como forma de manutenção do site. A idéia é que o Via Sebrae seja adotado em todas as regionais da entidade também em 90 dias. ‘‘Sozinhos os pequenos e micro empresários não teriam condições de acesso ao comércio eletrônico devido aos altos custos dos provedores privados’’, salientou o diretor técnico do Sebrae do Paraná, André Luiz da Rocha Barbalho.
Apesar de o site ser dirigido às pequenas, micros e médias empresas não há impedimento para participação das grandes corporações. O custo básico para os interessados em se cadastrar no serviço é de R$ 40,00 mensais, mais uma porcentagem dos lucros obtidos na comercialização eletrônica, que variam de 0,5% a 15% conforme o setor de atuação da empresa. ‘‘Nosso principal objetivo é reforçar o enorme potencial do comércio business to business (entre empresas) que o site oferece’’, ressaltou Barbalho.
Na opinião dele, o Via Sebrae vai reduzir drasticamente os custos de toda a cadeia produtiva. ‘‘O Sebrae pode preparar as empresas para se capacitar ao uso do site. Já que de nada adianta colocar a empresa na Internet e não possuir logística para atender à demanda’’, lembrou Barbalho. O Sebrae paranaense já tem empresas interessadas em utilizar o serviço. Só de consultas, foram registrados 1,8 mil visitas ao site da Sebrae, além de 2,2 mil visitas pessoais ao escritório.
O diretor superitendente do Sebrae de Santa Catarina, Antônio Carlos Kieling, contou que já são mais de 50 empresas cadastradas no Via Sebrae e que os contratos de mais de 300 empresas estão sendo analisados. ‘‘Queremos provar que a Internet comercial não existe somente para as grandes corporações’’, comparou.
Ele citou o caso de uma fábrica catarinense que vende uma pedra de granito que funciona como grelha elétrica. ‘‘No primeiro mês no Via Sebrae, vendeu 12 unidades. Depois de um contato com uma empresa de Miami (Estados Unidos), este empresário pode assinar um contrato para a exportação de 6 mil peças’’, comemorou. Kieling disse que a empresa aumentou o faturamento em até 10% depois que passou a usar a Internet em seus negócios.

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