Sebrae cria programa para dekasseguis
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segunda-feira, 06 de novembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Considerada pela Associação Brasileira de Dekasseguis (ABD) o segundo maior produto de exportação brasileiro, a mão-de-obra de descendentes e parentes de japoneses que vão para o Japão trabalhar por um período de quatro anos, em média recebe cerca de R$ 2 bilhões por ano. Uma quantia que só perde para a exportação de soja, que rende aproximadamente R$ 2,2 bilhões, anualmente.
Preocupada com a aplicação desses recursos, a ABD firmou parceria com o Sebrae-SP para ajudar os que retornam a reintegrar-se no mercado brasileiro. A maioria volta pensando em abrir o próprio negócio, explica o sócio-coordenador da ABD, Júlio Oshiro. Segundo ele, muitos, no entanto, acabam fracassando por falta de orientação. O programa de apoio aos dekasseguis existe há dez anos.
Na semana passada, a ABD formalizou um projeto com o Sebrae para a criação do 1º Centro Empresarial de Dekasseguis, uma Empresa de Participação (EP), que pretende atrair mil acionistas, que podem contribuir com US$ 150 por mês. A idéia é construir mais dois condomínios, que agrupem 20 empresas de dekasseguis em cada um, movimentando, ao todo, R$ 15 milhões.
Resumidamente, uma EP é formada por pessoas que se unem e formam uma sociedade anônima de capital fechado, com o objetivo de investir em negócios decididos democraticamente pelos cotistas. De acordo com o Sebrae, um grupo poderia formar ainda uma EP no Japão, o que facilitaria o processo de capitalização de recursos para o investimento de negócios no Brasil.
Quem está interessado em obter mais informações pode ligar para a sede da ABD, em Curitiba, no telefone (0--41) 232-1103 ou escrever para o e-mail [email protected].
Projeto Atualmente, são cerca de 450 mil dekasseguis brasileiros. O Sebrae está firmando parceria com todas as entidades de apoio a essa população para orientar, fornecer treinamento e capacitação antes, durante e após a viagem. A EP é muito importante para que os recursos dessas pessoas sejam captados e não aplicados de forma errada, explica o coordenador do Programa Empresa de Participação, Márcio Landes Claussen.
Em São José dos Campos, no interior de São Paulo, já existe uma EP voltada para os dekasseguis, a Nikkei Vale Participações S.A, que conta com 190 acionistas e um capital de cerca de R$ 320 mil.


