Sebos: brechó para a cabeça
Brechó para a cabeça. Assim podem ser definidos os sebos de livros, CDs, DVDs, revistas e gibis. Esse setor passa por renovação em Curitiba, cidade que sempre abrigou sebos pequenos, dirigidos a um público mais específico, geralmente focados em literatura. Agora chegam os sebos grandes, com variedade maior e preços que começam nos centavos. O foco não é tanto em antiguidades nem literatura de alta estirpe. O que vale é a reciclagem e preços acessíveis.
Locais como o Sebo Leitura, na Avenida Marechal Floriano, perto da Praça Carlos Gomes, que abriu há dois anos e atrai cada vez mais freguesia. Aliás, a característica de um estabelecimento como esse é a variedade não só de produtos, mas também de clientes. O proprietário Denis Cardoso afirma que não dá para definir o perfil do público que frequenta a loja.
Democracia comprovada nas estantes, em que convivem gibis de todo tipo, de Disney e Turma da Mônica a mangás e quadrinhos de arte; revistas de todas as épocas e gêneros; CDs e LPs de MPB, rock pesado, sertanejo e outros; livros de religião, auto-ajuda, best-sellers recentes e obras de autores consagrados. Democracia também pelos corredores, onde circulam pessoas variadas.
Oldemar de Oliveira, de 62 anos, está no Sebo Leitura pela primeira vez, garimpando as prateleiras de livros atrás de literatura judaica. Ele se interessa por livros sobre religião e conta que comprar em sebos vale a pena mas é preciso ficar atento, pesquisar preços e saber negociar.
Na outra ponta da loja, perto de duas garotas que esmiuçavam a imensa prateleira de revistas de artesanato, tricô e crochê, o estudante Alexandre Ciccarino, de 22 anos, olhava a seção de LPs há meia hora. Venho aqui uma vez por mês, explicou o rapaz, que geralmente busca literatura sobre Biologia e Genética, mas também compra CDs e livros de rock por hobby. Pela primeira vez ele se aventurava na seção das antigas bolachas de vinil.
Alexandre conta que não só compra, como também vende livros no local. O proprietário Denis Cardoso confirma que qualquer pessoa pode levar material para avaliação. O preço, ele determina, pautado pela experiência trabalhou um bom tempo com o tio, em Londrina, dono do conhecido sebo Capricho. De acordo com Denis, vale mais a pena a pessoa trocar do que vender. É um bom negócio para os dois lados, pois na troca os produtos valorizam, explica. (B.M.)





