Há sete anos, a comerciante Cristina Alves de Lima Parra passou a frequentar sebos e desde então tornou-se uma consumidora assídua de livros dos mais variados gêneros. Ela vai quase todos os dias ao sebo que fica perto de sua empresa para ver o que chegou de novidade. ''Antes não lia nem jornal. Tomei gosto pela leitura e hoje tenho uma biblioteca até razoável com 500 títulos. E tudo feito no sebo'', revela Cristina, que investe entre R$ 100 e R$ 150 por mês em livros.
A comerciante compra obras que custam em média R$ 15. ''O mais caro que levei foi um de R$ 75 sobre Picasso. Na verdade, comprei novo no sebo. Eu pedi e eles trouxeram para mim'', conta. Ela considera bons os preços praticados pelos sebos e credita a isso o fato de estar sempre comprando livros. ''Não fosse assim nem poderia ler tanto'', diz. Entre os autores preferidos de Cristina estão José Saramago e Cora Coralina.
O professor universitário Alfredo dos Santos Oliva gasta em média R$ 300 por mês em livros novos relacionados à sua área (história e religião). ''Quando estou de férias até compro um pouco de literatura brasileira, contos, romances'', observa. Oliva diz que raramente vai a sebos por considerar que os preços não compensam. ''Quando tem coisa boa, o preço é mais alto. Então, prefiro comprar novo''. No geral, o professor acha que os valores dos livros no Brasil são ''abusivos''. ''Um livro de cincoenta páginas custar R$ 60 é um absurdo'', afirma.
Para o agrônomo e pesquisador aposentado Léo Pires Ferreira - estudioso da obra de Monteiro Lobato -, num país que necessita ler mais, os livros custam muito. ''Como uma família que ganha dois salários mínimos hoje vai conseguir comprar um livro?'', questiona Ferreira. Ele tem a biblioteca completa de Lobato (e tudo o que escreveram sobre o autor) e ''quase tudo'' de Érico Veríssimo e Jorge Amado, entre outros.
Ferreira diz que vai com frequência a livrarias - às vezes, ''só para sentir o cheiro'' dos livros. ''Conforme envelhecemos, vamos ficando mais seletivos. Hoje, compro somente aquilo que me chama mais atenção, seja lançamento ou não'', diz ele, que adquire uma média de oito livros por ano. (G.M.)

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