Seae sugere que AmBev venda Skol
Agência Estado
De Brasília
A fusão das cervejarias Brahma e Antarctica, formando a Ambev, só poderá ocorrer se a Skol, hoje de propriedade da Brahma, for vendida a um concorrente. Esse é o principal ponto do parecer elaborado pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, divulgado ontem. A fusão é aprovada sob condições para que a Ambev não gere prejuízos à livre concorrência. O documento não é conclusivo. Ele apenas subsidiará a decisão final sobre a fusão, que cabe ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
Na opinião da Seae, a Brahma terá de vender a marca, as fábricas e os contratos de distribuição da Skol. E nas regiões abastecidas pelas fábricas de Manaus e Cuiabá, onde a Antarctica e a Brahma têm quase a totalidade do mercado, será necessário vender plantas. A proposta é que se venda ou uma fábrica da Antarctica ou uma unidade produtora da Brahma em cada cidade. A opção foi pela venda, e não pelo fechamento, para preservar os empregos e para garantir o ingresso de um concorrente nesses mercados, segundo explicou o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Cláudio Considera.
A Seae quer, ainda, que seja revista a associação da Brahma com a cervejaria americana Miller. Técnicos constataram que a configuração do mercado hoje é completamente diferente de quando a fusão foi aprovada, há dois anos. Finalmente, os técnicos querem que as condições impostas para a fusão sejam implantadas em prazo curto: seis meses.
O parecer da Seae poderá ou não ser seguido pelo Cade, que dá a palavra final sobre o assunto. O coordenador de Defesa da Concorrência da Seae, Paulo Correa, disse que o relatório do Cade aproveitou as sugestões em 85% a 90% dos casos analisados neste ano. Mas foram operações mais simples, observou. Nos casos mais complicados, o Cade tem encontrado soluções criativas. Considera acredita que a venda da Skol será suficiente para impedir que a Ambev aumente abusivamente seus preços.





