Seab tem dúvida sobre sacrifício de rebanho
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sexta-feira, 16 de dezembro de 2005
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) deve decidir na próxima semana se providenciará ou não o sacrifício sanitário das cabeças de gado da Fazenda Cachoeira, em São Sebastião da Amoreira (47 km ao sul de Cornélio Procópio). O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) decretou foco de febre aftosa na propriedade, decisão que não é admitida pelo governo do Paraná.
O vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti, comentou ontem que, para tomar uma decisão sobre o sacrifício dos animais, a Seab esperava as audiências públicas da Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara Federal sobre a confirmação do foco. A segunda e última audiência foi realizada ontem, na Assembléia Legislativa do Paraná.
''O que queremos enfatizar é que, mesmo discordando da confirmação do foco, a Seab está tomando todas as medidas sanitárias. Não estamos descumprindo nenhuma norma nacional ou internacional'', afirmou Pessuti. No início da semana, entidades integrantes do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Paraná (Fundepec) sugeriram o sacrifício dos animais da propriedade, sob a alegação de que, com a medida, o Estado recuperaria o status de área livre de aftosa em seis meses.
Na audiência realizada ontem na Assembléia, representantes do Mapa e da Seab mantiveram a divergência sobre a confirmação do foco. A Seab argumentou que nenhum animal da Fazenda Cachoeira apresentou sinais clínicos de aftosa, não houve isolamento de vírus e que pode ter ocorrido reação nos exames de sorologia porque os animais foram ''intensamente vacinados''.
O Mapa, por sua vez, reafirmou que seguiu parâmetros internacionais que determinam que vinculação epidemiológica e sorologia positiva são suficientes para confirmar foco de aftosa. Segundo o ministério, a vacinação contra febre aftosa só proporciona interferência relevante no exame sorológico apenas até o terceiro mês após a vacinação, e os animais da propriedade haviam sido vacinados seis meses antes.
A Comissão de Agricultura deve apresentar relatório sobre o caso dentro das próximas semanas. O virologista Amauri Alfieri, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), citou que o poder público precisa investir mais em defesa agropecuária, já que a destinação de recursos para erradicação da aftosa no País seria inconstante. ''Precisamos de diagnósticos rápidos, de alta sensibilidade e alta especificidade'', comentou.


