Seab repassa R$ 2 bi para indenizar abate sanitário
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terça-feira, 24 de julho de 2001
De Londrina 
O secretário da Agricultura, Antônio Poloni, entregou ao presidente do Fundo de Desenvolvimento da Agropecuária do Estado do Paraná (Fundepec), Ágide Meneguette, comprovante de depósito de R$ 2 milhões, referente à segunda parcela do recolhimento da taxa de vacinação contra a aftosa e outras taxas dos setores de leite, suínos, ovinos e aves. O fundo acumula agora cerca de R$ 2,5 milhões, e os recursos serão aplicados na indenização em caso de sacrifício de animais doentes.
A maior parte dos recursos (R$ 1.804.127,71) é proveniente da taxa da vacinação. Esse valor nos mostra que o produtor paranaense entendeu a mensagem que as entidades lhes passaram sobre a importância do Fundo Emergencial, afirmou o presidente do Fundepec, acrescentando que o trabalho de conscientização das entidades realizado em todo Estado foi um sucesso.
Poloni fez o repasse durante a reunião do Conselho Deliberativo do Fundepec que aconteceu na sede da Faep, em Curitiba, segunda-feira. Os recursos da pecuária têm a conta bloqueada e somente são liberados para garantir indenizações aos produtores que eventualmente tenham de sacrificar seus animais em caso de possíveis focos de aftosa no Paraná. Os recursos dos cadastros das empresas poderão ser usados em projetos especiais desenvolvidos pelo Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária (Conesa), explicou ontem a Assessoria de Comunicação da Faep.
Os valores da taxa de bois e búfalos (R$ 0,25 por animal, nas vacinações de 2001 e 2002) foram definidos pelos próprios produtores rurais. O dinheiro recolhido é repassado integralmente pela Secretaria da Agricultura ao Fundepec, instituição formada por entidades representantes dos produtores.
A taxa de cadastro ou vacinação é uma espécie de seguro do rebanho. A idéia é evitar surpresas, como a que penalizou os produtores gaúchos, onde centenas de animais foram sacrificados no ano passado. Vinte e cinco centavos por vacinação é um valor muitas vezes inferior ao que vale um boi, lembra o presidente do Fundepec, Ágide Meneguette.
Esse tipo de taxa, ou contribuição, para assegurar fundos destinados à indenização existe também em outros Estados, como em Mato Grosso e São Paulo.
Vale lembrar que para tentar liquidar o mal da vaca louca e enfrentar a aftosa, a Inglaterra prevê gastar algo em torno de US$ 356 milhões. Os prejuízos são avaliados em US$ 13 bilhões. Se com toda a riqueza que tem a Inglaterra, eles estão passando por esse sufoco, imaginem o que poderia ser de nós se algo desta magnitude acontecesse, destaca o presidente do Fundepec.
O produtor paranaense viu a importância do Fundepec no começo deste ano, quando houve em Agudos do Sul o foco de scrapie, nome popular da doença paraplexia enzoótica ovina. Dois rebanhos inteiros tiveram que ser sacrificados. Por se tratar de doença exótica, a indenização pela morte dos animais teria que ser paga pelo Ministério da Agricultura. O Fundepec adiantou o valor aos criadores, para depois ser ressarcido pelo governo. Se não fosse o fundo, os criadores poderiam ainda estar à espera das indenizações, cujo valor foi de R$ 140 mil.


