Seab lança hoje programa do algodão
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quinta-feira, 24 de julho de 1997
Vânia Casado e Maurício Borges Curitiba e Apucarana 
ArquivoCrédito no atoO secretário Brandão: Não faltará crédito O governador Jaime Lerner e o secretário da Agricultura e do Abastecimento, Hermas Brandão, lançam hoje, às 10 horas, em Ivaiporã, o Programa de Incentivo ao Plantio de Algodão, que prevê a liberação inicial de R$ 26 milhões mais crédito suplementar. A meta para a próxima safra é ampliar para 250 mil ha a área de algodão, gerando 150 mil empregos no campo.
A assinatura de convênios será no Salão Paroquial. Foram convidados prefeitos de 180 municípios que têm vocação para a cultura do algodão. Segundo a Seab, todo produtor que plantar até 6 ha irá receber calcário, sementes e horas/máquina necessárias para preparado do solo. A estimativa da Seab, é de que o programa atenda de 35 mil a 40 mil produtores. Cada produtor receberá R$ 106,16/ha - até o máximo de 6 ha -, com um limite de R$ 639,96 por agricultor.
A proposta do programa, visa também reativar a produção - na sua plenitude -, de 82 indústrias que beneficiam algodão e que podem gerar cerca de 5 mil empregos. De acordo com estimativas do governo, cada 3 ha de algodão plantado gera um emprego.
Pacote Para garantir os recursos para a compra de todo o pacote tecnológico que deve ser aplicado no algodão, como fertilizantes e agrotóxicos a Seab negociou com o Banco do Brasil e Banestado uma nova linha de crédito. O BB já garantiu R$ 40 milhões que serão aplicados no custeio do algodão, dentro das regras do Pronaf. O Banestado vai colocar mais R$ 20 milhões, em recursos do banco, para atender especificamente os produtores de algodão, além do que vai financiar normalmente dentro do que for disponibilizado via Pronaf.
Esses recursos são suplementares ao subsídio que está sendo dado pelo governo do Estado no valor de R$ 26 milhões. A intenção é aproveitar o momento favorável à retomada do algodão para que a cultura volte a ter lugar de destaque. Na década de 80 o Paraná se destacava como primeiro produtor, quando chegou a plantar até 700 mil ha, e hoje se tornou o terceiro, atrás de Goiás e São Paulo.
Mercado Além do incentivo do estado, as expectativas do mercado internacional também são favoráveis à retomada da cultura. Com a decisão do governo federal de exigir o pagamento à vista nas importações do produto, muitas indústrias ficaram sem fôlego para negociar no mercado externo, obrigando um retorno na disputa da produção nacional, avaliou Norberto Ortigara, diretor do Deral. Segundo ele essas empresas que antes eram inimigas do produtor agora passaram a ser parceiras e também estão preocupadas com a queda violenta da produção nacional. Também o mercado internacional está acenando com melhoria no preço do algodão para a safra 97/98 que inibe um pouco mais as importações, acrescentou.
Outra preocupação da Secretaria da Agricultura é garantir a comercialização da produção. Para isso encaminhou uma proposta ao governo federal para garantir pelo menos o preço mínimo do produto através das AGF, via Conab. Segundo Ortigara se a proposta for aceita todos os produtores que não estão amparados pela equivalência-produto através dos financiamentos do Pronaf poderão se beneficiar do pagamento do preço mínimo.


