Cinco lavouras de soja transgênica já foram interditadas no Paraná desde o início da safra 2002/2003. As áreas totalizam 58,7 hectares (ha) e devem render, em volume, 108 toneladas. A soja que já foi colhida nessas áreas também foi apreendida. ''É pouco em relação à previsão de safra'', disse Carlos Alberto Salvador, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal (DDSV) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento (Seab). A expectativa é que o Estado produza 11 milhões de toneladas do grão em 2003.
A DDSV chegou às lavouras transgênicas após receber denúncias anônimas. Segundo Salvador, foram 42 telefonemas recebidos em vários núcleos da Seab que, após realizar testes em todas as áreas, obteve resultado positivo em cinco delas. Três lavouras se localizam na região de Pato Branco (Sudoeste do Estado); uma área fica na região de Ponta Grossa (Campos Gerais) e a outra na região de Toledo (Oeste).
Ao invés de plantarem sementes, os agricultores cultivaram grãos de soja transgênica clandestina. ''Não sabemos de onde eles trouxeram'', comentou Salvador. A mercadoria só vai ser liberada após a regulamentação da Medida Provisória (MP) 113, que permite a comercialização da soja transgênica colhida na safra 2002/2003. ''Além disso, nosso Centro Jurídico está consultando o Ministério Público para que possamos estabelecer uma regra de conduta para esses casos'', comentou.
Ano passado, a DDSV analisou 8,4 mil amostras de soja armazenada no Paraná para investigar a existência de produto geneticamento modificado. Deste total, 117 amostras foram positivas. Os agricultores responsáveis por essas áreas respondem a processo administrativo e criminal e estão sujeitos a multas de R$ 5 mil. Este ano, o órgão ainda não sabe se amostras da safra armazenada serão testadas.
Apesar da interdição, Salvador considera que o Paraná é um dos estados brasileiros que mais oferece segurança aos compradores que exigem soja convencional. ''As sementes só entram no Estado quando têm laudo de transgeníase'', explicou.

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