Seab garante repasse de recursos para obras no Ceasa de Londrina
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terça-feira, 16 de setembro de 1997
Luka Morais Londrina 
Mário CesarAcordoSecretário Hermas Brandão visita Ceasa acompanhado por produtores e atacadistasDentro de dois meses deverá estar funcionando a pedra- área para comercialização - de verduras e legumes pelos produtores de Londrina e região. A terraplenagem e pavimentação da área 12.750 metros quadrados, localizada no terreno da Ceasa de Londrina, será feita com recursos do Governo do Estado. As obras começam em 10 dias. A decisão foi tomada ontem pela manhã durante reunião entre produtores e atacadistas e o secretário de Estado de Agricultura e Abastecimento, Hermas Brandão.
É um absurdo esse elefante branco, disse o secretário, referindo-se à ociosidade da estrutura da Ceasa, que é vinculada à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab). Dos mais de 140 boxes destinados à comercialização de produtos apenas 10% estão em funcionamento.
O secretário lembrou que a saída de produtores e atacadistas que atuavam na Ceasa, há cerca de 11 anos, foi devido às altas taxas cobradas pela administração. A Ceasa não tem que ter interesse em rentabilidade econômica, criticou Brandão. Tem que ajudar os produtores a colocarem seus produtos à venda.
Para que produtores - que hoje arcam com custos altos para vender seus produtos no Mercadão do Povo (jardim Ideal) e enfrentam problema da falta de espaço no local - possam ter um espaço para comercialização, a Secretaria vai investir perto de R$ 800 mil nos serviços de terraplenagem e pavimentação da área da futura pedra na Ceasa.
Conforme acordo firmado ontem, cada produtor ficará encarregado pela cobertura da área de 30 metros quadrados que irá utilizar pelo período de quatro anos, isentos de taxa de ocupação. Esse período pode ser prorrogado por até 12 anos, informa o presidente da Associação Norte Paranaense de Horticulturas (Apronor), João Neto do Prado Souza. A Associação foi criada na semana passada, permitindo a cessão do terreno da Ceasa para a construção da pedra.
Outro atrativo para os produtores será o valor cobrado para ingresso dos veículos na área de comercialização, que será de R$ 2,00/dia para caminhões e R$ 1,00 para carros. No Mercadão do Povo, compara o presidente da Apronor, os caminhões pagam taxa de R$ 12,00 cada vez que passam pela portaria e mais R$ 500,00 por semestre para usar as áreas cobertas.
Satisfeito com a possibilidade de reativação da área da Ceasa, o atacadista José Lourenço Fonseca, que há três meses decidiu fechar os quatro boxes onde comercializava frutas, aposta no retorno dos produtores. Hoje eles pagam taxas absurdas para trabalhar no Mercadão do Povo e enfrentam problemas de espaço, diz. Fonseca também possui boxes no Mercadão. Disse que assim que a pedra começar a funcionar, deverá voltar para a Ceasa.
Fonseca acredita que os atacadistas também serão atraídos para a Ceasa onde desfrutarão de quatro anos de isenção de taxas para ocupar os boxes. Atualmente, ele informa, têm um custo no Mercadão do Povo em torno de R$ 1.500,00.
O comerciante Edson Sobrinho, um dos poucos a manter os boxes na Ceasa, está torcendo pela volta dos produtores e atacadistas. Eu estou aqui desde que a Ceasa foi criada há mais de 10 anos, lembra. Sempre torci para que desse certo.


