Seab estima que safra 05/06 será melhor
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 29 de agosto de 2005
Vânia Casado<br>Equipe da Folha 
Curitiba Apesar das dívidas contraídas com a perda da safra passada, o produtor paranaense planeja plantar na safra de verão (05/06) 5,9 milhões de hectares, um leve crescimento em relação à anterior. Se não houver frustração de safra, com ocorrência de estiagem como aconteceu nos últimos dois anos ou outro dano climático, o Paraná poderá colher 21 milhões de toneladas de grãos, o mesmo volume colhido em 03/04, que foi a melhor colheita no Estado, nos últimos anos.
A estimativa é do Departamento de Economia Rural (Deral), divulgada ontem pelo vice-governador e secretário da Agricultura, Orlando Pessuti. Se a previsão para a safra 05/06 se confirmar, ela será 26,9% maior em relação à passada, quando foram colhidas 16,5 milhões de toneladas. Na safra 04/05 a estiagem provocou a quebra de cerca de cinco milhões de toneladas de grãos, que corresponderam a um prejuízo de R$ 2,4 bilhões.
O levantamento do Deral constatou que haverá uma redução de 2,7% na área plantada com a soja e aumento de 5,7% no plantio de milho. Estão previstos crescimento no plantio de feijão e café. Produtos como algodão, arroz e mandioca deverão ter queda de área.
Segundo Pessuti, a determinação dos produtores em plantar até mais do que fizeram no ano passado demonstra que eles entendem que a única forma de sair do prejuízo é insistir na lavoura. O secretário não acredita que deverá haver redução da tecnologia empregada nas lavouras, diante das dívidas que os produtores estão carregando desde a safra passada. ''Tenho presenciado que há boa vontade das cooperativas e empresas de insumo em renegociar as dívidas e dificilmente um produtor vai deixar de plantar por falta de financiamento'', acredita.
Pessuti disse ainda que não tem recebido reclamações de falta de dinheiro para o plantio e que os bancos estão assegurando as renegociações. ''A única exceção é Laranjeiras do Sul, onde não está sendo liberado recursos do Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar)''. Ele prometeu que irá investigar melhor o que está acontecendo.
Segundo a técnica do Deral, engenheira agrônoma Margorete Demarchi, foi verificado que os produtores que optaram pelo plantio de milho, compraram sementes mais baratas, que não utilizam pacote tecnológico como as sementes de ponta, onde os investimentos são mais altos.
Pessuti admitiu que atualmente o regime de chuvas não é o mais favorável para o plantio, mas destacou que ainda não existe grandes preocupações. O plantio do feijão das águas já começou, com boas perspectivas de desenvolvimento. Esta semana, o secretário participa de encontro do Codesul (PR, SC, RS e MS) para discutir com mais profundidade o comportamento do clima para os próximos meses.


