Um sobrevôo com veterinários da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) e um representante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) deve definir hoje o nível de dificuldade para se arrebanhar o gado alongado que está disperso nos 5,4 mil alqueires da Fazenda 7 Mil, uma das maiores propriedades rurais do Estado que está ocupada pelos sem-terra desde 1997.
O objetivo do vôo do helicóptero cedido pelo governo do Estado é descobrir as áreas de concentração do rebanho nos 400 alqueires de reserva. Apenas 138 bovinos foram vacinados na última campanha contra a febre aftosa – o grande fantasma da pecuária brasileira no momento – e a imunização da área é considerada estratégica para evitar o reaparecimento da doença no Estado.
Nem o MST nem a Seab sabem ao certo quantas cabeças de gado estão espalhadas pela fazenda. Os sem-terra calculam em 900 cabeças e a Seab prefere não arriscar uma estimativa. Segundo o proprietário Flávio Pinho de Almeida – que já obteve uma ação de reintegração de posse ainda não cumprida, a propriedade abriga 5 mil cabeças. Além da mata virgem, o terreno acidentado e a vegetação rasteira de até três metros de altura são os principais obstáculos para reunir o rebanho com agilidade, como quer o Ministério da Agricultura.
‘‘O MST vem fazendo todo o esforço para que o gado seja vacinado. Já erguemos cerca, isolamos áreas e estamos tentando atrair o gado para a fazenda vizinha utilizando sal mineral. Sabemos que não é fácil, mas vamos continuar tentando’’, diz João Orze Chovski, 25 anos, um dos coordenadores do movimento no acampamento, que reúne (segundo dados dos próprios sem-terra) duas mil pessoas de 600 famílias.
‘‘O sobrevôo deverá nos dar uma noção exata do problema’’, afirma o veterinário Felisberto Queiroz Baptista, coordenador estadual da Defesa Sanitária Animal, divisão da Seab. Ele afirmou à Folha que o MST é parceiro e não inimigo nos esforços de imunização do rebanho. ‘‘Não temos interesse político neste episódio, só queremos resolver o problema o mais rápido possível’’.
De acordo com o MST, já foram instalados em parceria com a Seab 8 mil metros de cerca guia que facilitam a aproximação dos animais a pontos que foram isolados e que permitem o pastoreio até a Fazenda Santo Antônio, cujo proprietário já ofereceu uma mangueira para abrigar a vacinação.
O MST reclama que o gado prejudica os planos de aumento da área cultivada, hoje calculada em 2 mil alqueires. ‘‘Sem manejo há três anos, o gado está muito arredio e destrói a lavoura. Já tivemos prejuízos com isto e não queremos que isto volte a acontecer’’, afirma Vilmar Toebe, 32 anos, da coordenação do MST no acampamento.
Os planos do MST inclui o aumento no número de grupos de produção – responsáveis pelo cultivo e comercialização do produto – de cada um dos lotes e a arregimentação de mais famílias para a área. Na última safra, de acordo com o movimento, foram colhidas 200 mil sacas de milho e 15 mil de feijão, além de uma pequena quantidade de arroz.

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