Seab e Afisa divergem sobre adesão à greve
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terça-feira, 08 de novembro de 2011
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
A paralisação dos servidores do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) começou com avaliação divergente. Enquanto o presidente da Associação dos Fiscais da Defesa Agropecuária do Paraná (Afisa-PR), Rudmar Luiz Pereira dos Santos, afirmou que o primeiro dia da paralisação foi um sucesso, o diretor do Defis, Marco Antonio Teixeira Pinto, analisou que o movimento não obteve a adesão prevista. A paralisação tem como motivação o impasse em relação à transposição de cargos reivindicada pelos fiscais do Departamento para a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar). A medida, porém, é considerada inconstitucional pela Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).
Santos avaliou que a adesão à greve atingiu cerca de 80% do quadro de servidores. ''O movimento é organizado e estamos agindo dentro da legalidade'', ressaltou. Segundo Santos, apesar de não prever nenhuma manifestação, a categoria irá permanecer em greve por tempo indeterminado. ''Continuamos esperando que a Secretaria da Agricultura cumpra a pauta de reivindicações e aceite a negociação. Estamos abertos ao diálogo'', afirmou.
O diretor do Defis, em contrapartida, alegou que muitos servidores optaram por não participar da greve e trabalharam normalmente ontem. Segundo ele, até o final do dia de hoje será possível contabilizar a adesão real ao movimento. Teixeira Pinto contou que algumas reclamações foram feitas por pecuaristas devido à impossibilidade da retirada de Guias de Trânsito Animal (GTAs) que tivessem outra finalidade além do abate. ''A greve é sem fundamento pois a alegação é inconstitucional'', analisou.
No final da tarde de ontem, a Seab divulgou comunicado, informando que tomará as medidas necessárias para garantir a prestação dos serviços de defesa agropecuária e os direitos dos servidores que não aderirem à greve. O comunicado informou que a Secretaria de Estado da Administração e Previdência reafirmou o entendimento sobre a inconstitucionalidade da transposição. ''A paralisação dos serviços, ainda que parcial, exporá a riscos a segurança alimentar da população e prejudicará a economia paranaense, comprometendo a atividade e produção agropecuárias, as agroindústrias e o comércio de produtos e de insumos agropecuários'', comunicou. Na sequência, a Seab se dispõe a conhecer proposição que remova o impasse ''sem ferir as normas constitucionais''.
Para o presidente da Sociedade Rural do Paraná, Gustavo de Andrade Lopes, a vacinação contra a febre aftosa, feita pelos próprios pecuaristas, tem ocorrido sem problemas até o momento. Mesmo assim, ele ressaltou a importância dos servidores para a fiscalização das fronteiras. ''O trabalho dos fiscais é imprescindível. Acredito que o governo está ciente da necessidade de buscar o entendimento'', avaliou. Segundo ele, por esse motivo a greve não deve se estender por muito tempo. ''Mas, caso se prolongue, a Sociedade Rural do Paraná vai se manifestar para contribuir com a solução do processo'', adiantou. Lopes afirmou que a greve é um direito dos servidores de reivindicar suas necessidades, mas disse que espera uma solução que não cause prejuízos a nenhum dos envolvidos, inclusive os produtores.
O presidente da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte, José Antônio Fontes, argumentou que só teria condições de contabilizar o impacto da greve no dia de hoje. ''É óbvio que a greve traz risco ao Estado, mas só posso avaliar a situação com mais tempo'', justificou.


