O secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Antônio Poloni, anunciou ontem em Apucarana, onde participou da solenidade de abertura de um seminário sobre diversificação rural, que o Estado está preparando uma operação especial para ser deflagrada na Fazenda 7 Mil, em Jardim Alegre (115 km ao sul de Apucarana). O objetivo é garantir a vacinação contra a febre aftosa de todos bovinos existentes na propriedade, que está ocupada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) há mais de três anos.
Poloni informou que autorizou ontem a contratação de um helicóptero e ‘‘quantas horas-vôo forem necessárias’’, para que os técnicos possam fazer o monitoramento do rebanho nas pastagens. ‘‘O Norberto Ortigara, da Seab, foi nomeado coordenador-geral desta operação e só sairá de lá depois de assegurar-se de que, efetivamente, todos os animais estejam vacinados’’, afirmou.
Conforme admitiu o secretário, a situação do gado na 7 Mil é realmente preocupante. ‘‘A fazenda, com quase 6 mil alqueires, têm imensas áreas com pasto alto, gado arredio e disperso’’, avaliou, anunciando que somente com sobrevôos será possível localizar e definir estratégias para fechar e vacinar os animais.
O início da operação, segundo Poloni, depende apenas de bom tempo, para que os técnicos da Seab, acompanhados de uma pessoa que conheça bem a fazenda, possam fazer um monitoramento aéreo das pastagens.
Passados 18 dias do prazo determinado para a vacinação do rebanho paranaense contra aftosa, apenas 92 bovinos foram imunizados na Fazenda 7 Mil. O número foi divulgado no dia 25 de maio pelo chefe do núcleo regional da Seab em Ivaiporã, Richard Golba.
Veterinários da Defesa Sanitária Animal (DSV) comunicaram à Seab que seria preciso uma negociação com o MST para viabilizar um esquema especial de vacinação. No último dia 1º, o coordenador-geral da operação, Norberto Ortigara, confirmou que as condições eram mesmo bastante complicadas.
Os animais na fazenda estão sem manejo há 3 anos. Também preocupa o Estado um alerta feito pelo proprietário da 7 Mil, Flávio Pinho de Almeida. Em artigo publicado em jornais, o fazendeiro avisou que responsabilizará o governo caso a febre aftosa chegue ao Paraná através da fazenda. Segundo ele, existem mais de 4 mil bovinos na propriedade. Os sem-terra garantem que não são mais de 700 cabeças.

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