Seab apreende 22 mil scs de fertilizantes falsos
Vânia Casado
De Curitiba
Cerca de 2 mil sacas de fertilizantes falsificados, foram apreendidos ontem em Cruz Machado, região Sul do Estado. O produto, comercializado com a marca Agrominas, foi comprado por uma associação de produtores e seria aplicado no plantio de feijão e milho. A apreensão foi feita por técnicos do Departamento de Fiscalização do núcleo da Secretaria da Agricultura, em União da Vitória.
Análises no Tecpar (Instituto de Tecnologia do Paraná) comprova a adulteração do produto e a ineficácia de sua aplicação na lavoura. Teoricamente o adubo foi fabricado em Joinville. Na prática tudo é falso, porque no endereço que consta no rótulo da embalagem funciona uma fábrica de bebidas, informou Paulo Fernando Couto, chefe do núcleo da Secretaria da Agricultura, em União da Vitória.
Até descobrir a fraude, os produtores já haviam repassado cheques no valor total de R$ 50 mil referentes à compra do adubo. Ocorre que quando a falsificação foi descoberta, o carregamento foi suspenso e o comerciante de Cruz Machado, que estava repassando o adubo arcou com o prejuízo. Dos cheques repassados à Agrominas, R$ 23.000,00 foram sustados a tempo, mas os R$ 27.000,00 de prejuízo estão sendo arcados pela empresa Agropecuária Almeida, de Cruz Machado.
Segundo Couto, a compra foi feita conforme pesquisa de preço feita pela Associação de Produtores do município de Cruz Machado. O fertilizante é encontrado no mercado entre R$ 22,00 e 23,00 o saco. Na pesquisa, os produtores identificaram a oferta de adubo da Agrominas por R$ 21,50. A diferença em unidade é pequena, mas no conjunto representa uma economia expressiva. Além disso, se a diferença de preço fosse maior, os produtores automaticamente desconfiariam porque o adubo é o ítem mais caro do custo de produção, disse Couto.
O produto falsificado na verdade era calcário granulado, afirmou o engenheiro agrônomo Eduardo Scucato, do departamento de fiscalização da Secretaria da Agricultura, em Curitiba. Os falsificadores pegam pó de rocha e formam o granulado com adubo de milho, sendo que o resultado da mistura é semelhante ao fertilizante. No teste apresentado pelo Tecpar, foi constatado uma deficiência de 96%. Ou seja, como calcário para corrigir o solo, até poderia ter algum efeito. Ocorre que o calcário custa o equivalente a R$ 1,00 o saco no comércio. Como fertilizante, cujos ingredientes ativos são o Nitrogênio, Fósforo e Potássio, os índices eram mínimos.
Scucato aproveitou para alertar os produtores do Paraná, que estão se preparando para o plantio da safra de verão, para que fiquem bem atentos ao comprar adubos. Só comprem de empresas idôneas, marcas conhecidas e que peçam a nota fiscal, instrumento necessário para sua proteção em caso de fraude.





