Seab alerta sobre doença em bananais
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quarta-feira, 07 de julho de 2004
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
O aparecimento da doença sigatoka negra em pomares de banana de São Paulo aumenta o risco de contaminação em lavouras do Paraná. A doença, capaz de dizimar a produção em áreas atacadas, foi identificada em junho em bananais paulistas. No Brasil, os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Roraima já lutam para conter o problema.
A transmissão da sigatoka negra se dá por esporos que podem ser levados pelo vento, mudas ou folhas infectadas. Os esporos podem ficar aderidos nas embalagens, caixas, frutos, roupas e até nos veículos que transportam as frutas.
Para evitar a chegada da doença no Paraná, a Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab) tomou algumas medidas preventivas. Segundo Carlos Alberto Salvador, chefe da Divisão de Defesa Sanitária Vegetal (DDSV) da Seab, o secretário da agricultura Orlando Pessuti assinou uma resolução secretarial que proíbe a entrada, no Estado, de bananas vindas de São Paulo. Frutas procedentes dos outros Estados com focos da doença já não eram aceitas.
A partir da resolução, qualquer carga de banana só será liberada nas barreiras volantes e fronteiras com permissão de trânsito vegetal fundamentada em certificado fitossanitário de origem.
Além disso, o Estado passou a exigir embalagens plásticas higienizadas para acomodar as frutas. Embalagens descartáveis de madeira e papelão serão aceitas se forem utilizadas apenas uma vez. Ceasas de todo o Estado foram orientados a não mais receber bananas vindas de São Paulo. Produtores paulistas, até então, respondiam por 9% da fruta consumida no Paraná.
Uma das principais consequências do aparecimento da sigatoka negra é a necessidade de intensificar a aplicação de fungicidas. Em regiões livres da doença, são feitas, em média, cinco aplicações por ano. A incidência do fungo causador da sigatoka negra aumenta a necessidade para até 50 aplicações, como acontece na América Central.
Além do aumento do custo de produção, o uso de maior quantidade de fungicida aumenta o risco de contaminação do solo, da fauna, da flora e da água. Há também maior risco para a saúde humana, tanto para o aplicador do agrotóxico quando para o consumidor da banana.
Salvador destacou o risco social do desemprego e do êxodo rural implicado no caso dos bananais serem contaminados e dizimados. No Paraná, são cerca de 6,5 mil pessoas diretamente envolvidas no cultivo da banana, em uma área de 9.970 hectares, com uma produção de 231.493 toneladas. As principais áreas de produção concentram-se nas regiões de Guaratuba e Guaraqueçaba, Cornélio Procópio, Andirá e Foz do Iguaçu.
Ao produtor, a DDSV recomenda que, na época de plantio ou replantio da banana, adquira mudas certificadas e dê preferência ao uso de mudas produzidas em laboratórios. Ele deve também fazer um controle rigoroso da sigatoka amarela - já presente nos bananais paranaenses - e realizar práticas culturais adequadas, como a desfolha frequente, o controle de ervas daninhas, o desbaste e plantio com espaçamento adequado. A exterminação de bananais abandonados também é recomendada.


