Curitiba O chefe do Departamento de Defesa de Sanidade Vegetal da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), Carlos Alberto Salvador, disse desconhecer o problema que está afligindo pequenos produtores do Norte e Noroeste do Estado. Garantiu, no entanto, que será feito um levantamento para checar se está havendo mau uso dos herbicidas pelos usineiros.
O técnico explicou que os herbicidas que usam o 2.4-D como princípio ativo são amplamente aplicados na agricultura (com várias marcas comerciais) para controle de ervas daninhas. É, inclusive, recomendado para uso em plantações de cana-de-açúcar, mas para o mesmo fim e não como maturador. Assim como qualquer agrotóxico, o produto só pode ser vendido com receituário emitido por profissionais de agronomia. As empresas de revenda, segundo ele, também são cadastradas junto à Seab.
Até o final da tarde de ontem, o diretor-presidente do IAP, Rasca Rodrigues, também não tinha conhecimento formal sobre as denúncias da Comissão Pastoral da Terra (CPT), mas disse que ''a preocupação é pertinente'' e que será dado o encaminhamento necessário.
Rasca Rodrigues admite que a legislação paranaense sobre uso de agrotóxicos é bastante exigente, mas há fatores que comprometem a fiscalização. ''A discussão desse assunto no Paraná é muito precária'', declarou. Por essa razão, o IAP está trabalhando num plano para padronizar o uso e a fiscalização de agrotóxicos em todo o Estado, atendendo às novas determinações do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O documento deverá ser concluído em 15 dias.
Ao comentar a denúncia da CPT, o superintendente da Alcoopar, Adriano da Silva Dias, disse acreditar estar havendo um ''equívoco''. Ele admitiu que os usineiros utilizaram, no início do ano, um produto maturador para antecipar a colheita. A medida, segundo ele, foi tomada para atender o pedido feito aos usineiros pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de antecipar a safra para não haver risco de falta de álcool no mercado.
O diretor-presidente da Usina Vale do Ivaí, Paulo Zanetti, diz que a denúncia não tem fundamento técnico. Ele, que é engenheiro agrônomo, garante que nenhuma usina no Paraná ou em outro estado usa herbicida que tenha o 2.4-D como princípio ativo, justamente por causa do risco de prejudicar lavouras vizinhas. Os maturadores usados nos canaviais são recomendados pela Seab e licenciados pelo IAP.
O promotor de Meio Ambiente, Saint'Clair Honorato Santos, disse que irá pedir à Seab para que emita parecer em relação à denúncia da CPT.

mockup