A procura por semente de soja é grande no mercado paranaense, apesar do preço maior (56% em alguns casos) do que no ano passado. A Associação Paranaense dos Produtores de Semente (Apasem) informa que alguns produtores já comprometeram sua produção com vendas antecipadas e não estão aceitando mais pedidos. A expectativa da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento é que os preços podem disparar até outubro e poderá faltar produto no mercado, obrigando a aumentar as importações de semente do Rio Grande do Sul.
A Apasem estima uma produção de 4,2 milhões de sacas de semente (50 kg), suficientes para o plantio de 2,35 milhões de hectares, a mesma área plantada na safra 96/97. Apesar de o volume de sementes ser maior do que a do ano passado, quando foram produzidas 3,7 milhões de sacas, se for confirmada a expectativa de aumento no plantio do grão, essa produção certamente será insuficiente, prevê o diretor da entidade, Eugenio Bohart.
O preço da semente está variando entre R$ 23,00 e R$ 28,00 a saca, uma alta de 56% em relação a maio/junho de 1996, quando o preço da semente estava a R$ 16,50 a saca. Para o técnico do Deral, Otmar Hubner, os preços atuais já estão acima dos preços praticados no ano passado, na época de plantio, portanto, estão altos, se for considerado que ainda é cedo para acirrar a procura e desencadear um aumento nos preços, comparou.
Além dos preços no mercado internacional permanecerem atraentes, Otamar Hubner lembra que a desoneração do ICMS na exportação do grão está estimulando a aumentar a produção. Ele não acredita que as informações sobre o aumento da safra norte-americana deverá alterar no quadro aqui no Brasil. Isso porque mesmo que o preço do grão cai para os níveis de R$ 13,00 a saca, em fevereiro e março de 1998, como estão prevendo os analistas, ainda assim será competitivo e vai compensar o investimento, justifica. Ele argumenta ainda que os preços do milho também não reagiram a ponto de atrair uma migração da soja para o milho, salientou.
Como contrapartida à euforia na procura por semente de soja, cai o interesse do produtor pela semente de milho. A preocupação com a queda no plantio, que aponta para uma redução de 15% a 20% da área plantada é grande na Secretaria da Agricultura, porque pode comprometer o abastecimento para a suinocultura e avicultura, no próximo ano. A Apasem estima uma produção de 900 mil sacas de 40 quilos e se o preço do grão não reagir, provavelmente vai sobrar muita semente no mercado, acredita Bohart. Já os produtores de semente de algodão estão apostando no programa de incentivo ao plantio, do governo do estado, para vender a produção estimada em 170 mil sacas de 30 quilos. Esse volume é suficiente para plantar 150.000 ha.

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