O supervisor técnico do Dieese no Paraná, o economista Sandro Silva, afirma que o discurso de ineficiência nos gastos públicos é hegemônico, mas que não pode ser distorcido. "Se o governo gasta mal, mas não é com a Previdência", diz.

Silva lembra que a concessão de benefícios ao setor privado, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), custou mais de R$ 100 bilhões aos cofres públicos somente em 2014, mas que o impacto nos preços ao consumidor e na economia não foi colhido. Ainda, critica a estratégia de elevar juros para conter uma inflação que não é de demanda, mas de preços administrados, o que não resolve o problema da alta dos preços e tem o reflexo de diminuir investimentos e gerar crise. "A Previdência é deficitária porque o governo não destina a parte dos impostos para lá, como deveria, mas querem tirar mais dinheiro da Previdência para continuar pagando juros a instituições financeiras", diz, ao prever que o custo com juros e amortização de dívida deve ser de 45% da receita do governo federal em 2015.

A vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário (IBDP), Adriane Bramante, lembra que, pela Constituição Federal, é necessário um orçamento único para a Seguridade Social, o que inclui Previdência, Saúde e Assistência Social. Conforme divulgado pelo órgão no ano passado com base em dados do governo, se todos os recursos arrecadados a essas áreas fossem destinados corretamente, haveria superavit de R$ 40 bilhões. "A Previdência não está sozinha e é superavitária. O temor é que a conta não feche lá na frente, mas não se pode querer mudar algo com pressa, sem planejamento", diz.

Para o consultor econômico Cid Cordeiro, o governo busca mais uma sinalização política, que indique uma reforma fiscal estrutural. "A idade mínima penaliza o trabalhador e só serve para mostrar ao mercado a redução da dívida de longo prazo." (F.G.)

mockup