Se o governo fosse empresa não sobreviveria no mercado
Quanto tempo uma empresa privada sobreviveria no mercado se fosse administrada da mesma forma que o governo administra suas contas? É uma pergunta difícil de responder, mas é quase certo que ela não duraria muito. Um exemplo emblemático é o que está sendo noticiado pela maioria dos jornais brasileiros nas últimas semanas: a farra dos cartões corporativos. Numa empresa privada o cartão corporativo pode ser um instrumento importante, pois facilita transações emergenciais e compras rápidas. Porém, o controle é extremamente rigoroso. Todo gasto é contabilizado e não se admite qualquer abuso.
Pode-se dizer que, para o governo, os benefícios seriam os mesmos que os verificados em uma empresa privada. O problema é que o controle é deficitário, para dizer o mínimo. Dias atrás a Folha de São Paulo publicou que os gastos realizados por um segurança pessoal da filha do presidente Lula, Lurian Cordeiro Lula da Silva, com o cartão corporativo - tidos como sigilosos - foram flagrados no Portal Transparência da Controladoria Geral da República (CGU). A filha do presidente mora em Santa Catarina.
Segundo o portal (www.portaltransparencia.gov.br) entre os itens da lista de compra realizada pelo segurança estão autopeças, combustível, materiais de construção, além de gastos em supermercados, livrarias e em uma casa de venda de munição. Foram gastos R$ 55 mil entre abril e dezembro de 2007. Já o ministro dos Esportes, Orlando Silva, teve que explicar porque usou o cartão corporativo do governo para comprar uma tapioca por R$ 8,30. Pelo que se sabe, a tapioca não faz parte das necessidades urgentes do governo.
A farra do cartão corporativo provocou a demissão da ministra da Igualdade Racial Matilde Ribeiro. Ela bem que tentou permanecer no cargo, disse que a culpa foi de dois funcionários dela, porém a divulgação dos gastos jogou uma pá de cal nas pretensões da ministra. Entre os gastos nada usuais de Matilde com o cartão estão R$ 461,16 num free shop, aluguel sistemático de carros (mais de R$ 110 mil, sem licitação) e em seu período de férias (R$ 2.969,01), como revelou a Folha de São Paulo. Matilde gastou R$ 171 mil com o cartão em 2007, um recorde entre os ministros.
''Esta falta de zelo com o dinheiro público não parece ser a exceção, e sim a regra entre os administradores públicos'', diz José Joaquim Martins Ribeiro, presidente do Sescap-Ldr. Segundo ele, numa empresa privada, uma situação de total descontrole como esta a levaria a falência em pouco tempo.
''É inadmissível numa empresa privada situações como as que vemos no governo. A empresa privada precisa ter controle absoluto sobre tudo o que entra e o que sai. Qualquer deslize, por menor que seja, pode inviabilizar o negócio. Já o governo, que não precisa disputar mercado com ninguém, toda vez que falta algum dinheiro no caixa aumentam-se os impostos para cobrir o rombo. E o governo faz isso sem qualquer constrangimento'', lembra Ribeiro.
Além dos cartões corporativos, que são o tema do momento, a farra com o dinheiro público pode ser verificada de diversas formas afirma o presidente do Sescap-Ldr. ''Nem é preciso ir muito longe. Veja o caso de Londrina. Quanto significa de prejuízo uma obra como a duplicação da Rua Goiás que está parada há meses? E a Avenida Ayrton Senna que há anos espera a conclusão? Isso sem contar o Jardim Botânico que não tem qualquer previsão de continuidade'', afirma Ribeiro.
Esta falta de zelo com o dinheiro público, reforça, pode ser vista nos contratos que o governo assina. ''É o caso do pedágio no Paraná que tem uma das tarifas mais caras do Brasil e ninguém explica por que'', conclui Ribeiro.
Fonte: Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina - Sescap-Ldr





