Curitiba – O mercado de cartões de crédito e serviços cresce a números vertiginosos a cada ano mas, em muitas situações, estas empresas não respeitam os direitos do consumidor. A Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) estima que o Brasil chegará ao final de 2006 com 389 milhões de cartões em circulação, considerando as modalidades de crédito, débito e de loja. Este volume representará um crescimento de 15% em relação ao número registrado em 2005. Esses cartões deverão fazer 4,6 bilhões de transações (25% mais do que o volume de 2005) e movimentar R$ 261 bilhões, número 24% superior ao do ano passado.
  A previsão da Abecs é que o número de transações feitas com cartões de débito deverá praticamente alcançar, pela primeira vez na história, o volume de operações realizadas com os cartões de crédito. Com base na observação do comportamento do segmento nos últimos anos e nas perspectivas de crescimento tanto da economia e do próprio mercado de cartões, a associação prevê que neste ano serão feitos cerca de 1,9 bilhão de pagamentos com cartões de débito, contra aproximadamente 2 bilhões de compras com os tradicionais cartões de crédito.
  A razão para esse comportamento é a substituição de meios mais tradicionais no mercado brasileiro, como o cheque e o dinheiro, pelo cartão de débito. O número de transações com este tipo de plástico vem crescendo a taxas muito elevadas (36% em 2005 e previsão de 35% em 2006), superiores ao ritmo de crescimento do cartão de crédito. Com isso, o número de pagamentos feitos com as três modalidades de cartões já é três vezes maior que as operações feitas com cheque. Mas, o cartão de crédito deverá manter a liderança em termos de valores de transações. A modalidade deverá movimentar R$ 152 bilhões em 2006, contra R$ 83 bilhões dos cartões de débito.
  O grande problema é quando as administradoras de cartão não respeitam os direitos do consumidor. O Procon-PR realizou em 2004, 2.824 atendimentos sobre cartão de crédito. Em 2005, o número de atendimentos nesta modalidade foi de 2.612. As queixas mais freqüentes dos consumidores foram dúvidas sobre cobrança, cobrança indevida, cancelamento de contrato e serviços não solicitados.
  A auxiliar de produção Maria da Glória Pereira, 38 anos, está entre os consumidores que tiveram problemas com cartão de crédito mesmo sem requisitá-lo. Ao receber o cartão, ela nem chegou a desbloquear e começou a ter cobranças de faturas e seguros. ‘‘Eu sempre pagava para não sujar o nome. Tinha medo de ir para o SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito)’’, contou. Ela chegava a pagar valores entre R$ 140 e R$ 180 por mês durante 12 meses. Maria foi ao Procon e teve uma audiência com os representantes da administradora do cartão mas, o acordo ainda não foi fechado.

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