Se não for política, decisão está correta
Para o professor universitário londrinense e sócio da Litz Estratégica e Marketing, Renato da Rocha Neto, o IBGE está correto em suspender a divulgação da pesquisa, a menos que a decisão tenha objetivo de esconder supostos dados indesejáveis ao governo em ano eleitoral. "É melhor parar e rever a metodologia para que haja equilíbrio nas informações entre todos os estados antes da divulgação", afirma.
A suspeita de motivação política não deve ser descartada, no entanto, devido ao fato de o questionamento ter sido apresentado por alguém muito próximo à Presidência da República: a senadora Gleisi Hoffmann, que até há pouco tempo era ministra-chefe da Casa Civil, e agora pré-candidata ao governo do Estado. "Acho que, se a decisão do IBGE não foi política, mas sim metodológica, ela é muito bem-vinda", declara.
Em relação ao Ipea, ele afirma que o erro "arranha" a imagem do instituto e também das pesquisas de opinião de forma geral. "Mas este erro serve para mostrar à população que é preciso ter um olhar crítico para as pesquisas. As pessoas não podem simplesmente engolir resultados de pesquisa sem analisá-los", declara. Para o professor, no entanto, o Ipea tem um histórico de serviços prestados ao País, que já ajudou em muitas tomadas de decisões.
Professor de Departamento de Estatística da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Anselmo Chaves Neto ressalta que o IBGE é uma instituição de muita credibilidade. Ele acredita que, se há um clima de rebelião e pedidos de demissão em massa, "deve estar ocorrendo algo muito grave lá dentro". "Infelizmente, são situações que mexem com a credibilidade do instituto", lamenta.
Sobre o erro do Ipea, ele o considerou "grosseiro" e diz que irá demorar para o instituto retomar a confiança da sociedade brasileira. "Ali também tem muita gente boa. É uma pena o que aconteceu", afirma.
Diretor do Instituto Chiusoli Pesquisas de Londrina, Alexandre Shimada é mais condescendente para com o Ipea. "Foi um erro que pode acontecer com qualquer instituição. As pessoas não têm noção do trabalho que existe em torno de uma pesquisa. A postura de reconhecer o erro e corrigi-lo foi muito positiva", analisa. Para ele, isso prova a seriedade da instituição. Shimada acredita que, com um bom trabalho de "relações públicas", o Ipea consegue reverter o dano causado à sua imagem. "O caso não desmoralizou o instituto", defende.
Em relação ao IBGE, ele concorda que é melhor parar de divulgar os dados agora e rever a metologia. (N.B.)





