Arquivo FolhaMais em contaRicardo Yazbek, do Secovi, prevê ‘‘queda imediata’’ de 15% do valor da prestação dos financiamentosEstabilidade com possibilidade de ligeiro crescimento. É com essa perspectiva que os profissionais do mercado imobiliário estão trabalhando para este ano. O presidente do Secovi, o sindicato da habitação, Ricardo Yazbek, diz que o setor prevê uma taxa de crescimento de no máximo 2%. ‘‘Uma melhora no desempenho continuará dependendo do nível em que se situarem as taxas de juro e do desempenho da economia em geral’’, afirma.
Aliás, Yazbek lembra que os juros mais altos vão adiar também os benefícios que o Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI) traria ao mercado imobiliário. Entre eles está uma injeção maior de recursos para financiar a aquisição de imóveis. A previsão inicial era de que o SFI começasse a funcionar no começo deste ano. Mas, por conta do salto dos juros, o novo Sistema de Financiamento Imobiliário deve começar a operar apenas a partir de abril.
O afrouxamento das normas do Sistema Financeiro da Habitação (SFH), o que resultou na criação da faixa light, aprovada no fim do ano passado, era aguardada pelos empresários do mercado imobiliário. Mas sua aprovação oficial, antes da virada do ano, foi recebida como um presente de Natal. A partir dela, o mercado acredita que, ainda este ano, o volume de recursos disponíveis para o setor pode aumentar de forma expressiva.
De imediato, o presidente do Secovi acredita que o valor da prestação dos financiamentos deve cair em torno de 15%. Pelo novo sistema, os bancos terão mais interesse em ampliar suas carteiras de crédito imobiliário. Isso porque eles terão a garantia da hipoteca do imóvel e também serão os responsáveis pela avaliação do cadastro que vai resultar na concessão ou não do financiamento. ‘‘Com isso, as construtoras e as incorporadoras devem reduzir o percentual de financiamento direto ao comprador e passar a dedicar-se à sua atividade principal, que é construir’’, diz Yazbek.
Essa readequação do mercado vai fazer com que as empresas fiquem mais capitalizadas e, com isso, tornar disponível um volume maior de recursos para a construção de empreendimentos, o que deve ampliar a oferta de imóveis.
Se essas previsões se confirmarem, os profissionais desse setor não descartam a possibilidade de que ocorram pequenas reduções no preço final do imóvel. ‘‘Se isso não se confirmar, pelo menos teremos a garantia de que não ocorrerão altas nos preços das unidades no curto e no médio prazo’’, comenta.
O preço também deve ficar estável, no mínimo, por conta da concorrência do mercado. Nos últimos anos, Yazbek diz que a maior competitividade do setor tem feito com que cada vez mais as empresas adaptem o preço e as condições de pagamento à capacidade econômica do consumidor.

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