Várias entidades de classe de Londrina participaram durante esta semana de reuniões com a Câmara de Vereadores, o prefeito Nedson Micheleti e com o Sindicato dos Servidores na tentativa de por fim a greve que dura mais de dois meses e está provocando um enorme prejuízo para as empresas e para os moradores que precisam dos serviços públicos oferecidos pelo município.
''Ouvimos o prefeito, ele explicou as razões dele e diz que não há como dar um reajuste para os servidores. Ouvimos o Sindicato dos Servidores e eles reclamam que a categoria tem direito à reposição salarial. Numa análise simplista, os dois têm razão, porém, se os dois estão certos, quem está errado? O fato é que a cidade não pode ficar refém de uma situação como esta'', comenta José Ribeiro, presidente do Sindicato das Empresas de Consultoria, Assessoria, Perícias e Contabilidade de Londrina (Sescap-Ldr).
Segundo ele, se a Prefeitura fosse uma empresa comum, teria que fechar as portas, pois nenhuma empresa normal suporta dois meses de greve sem quebrar. ''O problema é que a prefeitura é de todos e não é de ninguém ao mesmo tempo. É uma empresa que não tem patrão. Na iniciativa privada se o funcionário está descontente com o salário, ele muda de empresa à procura de um salário melhor, ou inicia um empreendimento enfrentando todos os riscos do mercado'', diz. Ribeiro, ressaltando que no serviço público não é assim.
''Quando há descontentamento com o salário, faz-se uma greve sem medir as consequências. É lógico que na iniciativa privada também há greves, mas não como no serviço público. Nesta semana os funcionários dos bancos estavam em greve. Representantes dos funcionários e dos bancos sentaram e chegaram a um acordo e a paralisação acabou. O que vemos em Londrina é a intransigência dos dois lados. Só que, como a prefeitura não tem dono, a população é que paga o pato'', opina.
Hoje a prefeitura é a maior empregadora da cidade, com aproximadamente 7.500 funcionários, sem contar os trabalhadores terceirizados. Ela é também, na média, a empresa que paga os melhores salários. Hoje um contador que trabalha há dez anos num escritório da cidade ganha R$ 1.500,00 por mês. Na prefeitura o salário de ingresso de um contador é de R$ 1.779,40. Com dez anos de serviço público o salário bruto atinge R$ 4.300,00.
Há assistentes sociais na prefeitura de Londrina, beneficiadas pelo Plano de Cargos e Salários (PCCS) que recebem R$ 4 mil enquanto que o mercado paga R$ 800,00 para a mesma função. Entre os benefícios os servidores recebem 1% de anuênio; cesta básica - paga em dinheiro -; a cada cinco anos de trabalho o servidor tem direito a uma gratificação de três salários ou três meses de férias.
Alguns servidores ganham mais do que o prefeito, com salários superiores a R$ 10 mil. ''A impressão que temos é que a prefeitura está inviabilizada. O serviço prestado não é bom, os servidores não estão satisfeitos e os clientes, que somos todos nós da comunidade estamos menos satisfeitos ainda'', argumenta Ribeiro.
Segundo ele, as entidades não estão contra o prefeito ou os servidores, mas quem está pagando a conta da paralisação não está aguentando mais. ''As entidades querem uma solução urgente, não se pode esperar mais'', finaliza o presidente do Sescap-Ldr.

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