A afirmação de representantes da indústria farmacêutica de que a população deixa de comprar medicamentos quando os preços são muito altos representa a realidade de parte dos londrinenses que dependem de tratamentos contínuos. Com certa burocracia para se conseguir remédios fornecidos pelo governo, alguns procuram drogarias para começar a cuidar da saúde o quanto antes, o que nem sempre é possível.
O vendedor de equipamentos fotográficos André Luiz Mello parou na última sexta-feira em frente a uma prateleira de farmácia em Londrina, olhou o preço de um dos medicamentos dos quais precisa e não o colocou na cesta. Ele considerou o valor, R$ 162, até barato para o padrão brasileiro, já que encontrou o mesmo item a R$ 190 em outros locais. Porém, disse que já comprou o mesmo produto por R$ 48 em outro país. "Se fosse mais barato, a saúde ficaria em dia. Mas às vezes é preciso deixar de comprar o remédio pelo preço."
Para a aposentada Antônia Pereira, qualquer redução no valor já seria bem-vinda. "Faço pesquisa de preços e, se estiver caro, tento o genérico. Se não der, deixo de comprar e vou ao postinho", contou.
A estudante Flávia Mantovani afirmou que o preço dos remédios é elevado no Brasil, mas acredita que o problema não é exclusivamente causado pelos impostos, mas, por exemplo, também pelos investimentos insuficientes na indústria farmacêutica. Mesmo assim, ela acredita que a redução nas alíquotas apenas beneficiaria a população. "Claro que teria um impacto na receita do governo, mas poderia tirar o dinheiro para investimentos de outros produtos", disse. (F.G.)

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