Quem não quer escolher um produto de graça ou fazer uma viagem sem gastar um centavo do bolso com a passagem aérea? O que parece apenas uma ideia pode se tornar realidade, por exemplo, se o cartão de crédito for utilizado de forma inteligente. Atualmente, muitas operadoras de cartões oferecem programas de recompensa, por meio dos quais o cliente ganha pontos que podem ser trocados por produtos, milhas, doações ou descontos em serviços.
O vice-presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef-PR), Clécio Chiamulera, explica que o primeiro passo é se certificar de que o cartão de crédito escolhido oferece programas para acumular pontos. A partir disso, o cliente pode fazer as compras e usufruir dos benefícios.
De acordo com ele, 95% dos pontos de cartões são transferidos para milhas aéreas. No entanto, é possível usá-los em outros serviços, como descontos em compras de alguns produtos em sites e lojas. Os pontos também podem ser doados a terceiros. ''Este benefício de pontuação existe há mais de 15 anos, entretanto, tornou-se mais popular nos últimos anos'', observa, completando que o objetivo maior dos programas de recompensa é fidelizar clientes, incentivando-os a utilizar o cartão.
Conforme Chiamulera, se bem usado, o cartão de crédito pode ser um bom instrumento. Uma das maneiras inteligentes de acumular pontos, por exemplo, é ter apenas um ou dois cartões. ''Se tiver muitos, o cliente não consegue acumular pontos suficientes para troca em nenhum'', explica.
Por outro lado, usar essa modalidade de pagamento para acumular pontos ou milhas pode se tornar um estímulo para o consumo. Por isso, é necessário ficar atento para não se render à tentação e fugir do controle. ''Não adianta o consumidor acumular vários pontos, mas também várias dívidas'', alerta o vice-presidente do Ibef. Ele orienta ainda que apenas os consumidores disciplinados financeiramente devem fazer todas as compras no cartão.
Para fazer um bom negócio e não tornar o cartão um vilão, ele ensina que é necessário pagar o total da fatura ''porque os juros cobrados para parcelamento são absurdos''. Além disso, é necessário ficar atento à validade dos pontos, que expiram, em média, a cada dois anos.
A coordenadora do Laboratório de Finanças Pessoais da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Ana Paula Mussi Cherobim, acrescenta que alguns bancos permitem que os pontos sejam trocados também por descontos em tarifas e outros autorizam, inclusive, que sejam feitas doações para instituições.
Ela avalia que a vantagem de usar o cartão é poder organizar as despesas, diferentemente do que ocorre quando o pagamento é feito em dinheiro ou cheque. ''As pessoas devem ter a consciência de que não devem gastar no cartão por causa dos pontos, mas se têm de utilizá-lo, podem aproveitar os bônus'', salienta.
Para quem quer trocar os pontos por milhas, Ana Paula orienta a ficar de olho no período em que tem disponibilidade para viajar, ''visto que geralmente as passagens são ofertadas para a baixa temporada''. ''Se a pessoa só pode viajar na alta, não vale a pena'', afirma. Para utilizar os créditos em milhas aéreas, é necessário que o usuário do cartão peça para a operadora fazer a transferência dos pontos. Segundo o vice-presidente do Ibef-PR, os cartões Visa e Mastercard têm convênio com as principais companhias aéreas do País, ''como Gol e TAM, que por sua vez têm convênios com outras empresasinternacionais''.
Para os que optarem por comprar produtos na internet, Ana Paula ensina que devem ser priorizados os itens que são mais necessários ou que pretendem dar para alguém, se precavendo para não usar os pontos para adquirir algo só porque está barato. A sugestão da coordenadora é ver o produto semelhante ''ao vivo'' antes de escolher pela internet.

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