SDE investiga cartel de cimento e concreto
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quinta-feira, 08 de março de 2007
Isabel Sobral<br> Agência Estado 
Brasília- A Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, anunciou ontem a abertura de uma investigação contra oito empresas das áreas de produção de cimento e concreto que estão sob suspeita de prática de cartel. Serão investigadas também duas associações e quatro executivos de empresas. As oito empresas sob suspeita são: Votorantim Cimento Ltda., Camargo Correa Cimentos S/A, Lafarge Brasil S/A, Companhia de Cimentos do Brasil, Holcim Brasil S/A, Itabira Agro Industrial S/A (Grupo Nassau), Soeicom S/A e Companhia de Cimento Itambé.
As associações sob investigação são a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Aberc) e a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP). Os executivos sob suspeita são: Anor Pinto Filipi, Renato Giusti e Marcelo Chamma, todos da Votorantim, e Sérgio Bandeira Camargo Corrêa, da Camargo Corrêa.
A titular da Secretaria de Direito Econômico, Mariana Tavares, disse, ao anunciar a abertura da investigação, que os indícios de formação de cartel apontam para uma divisão regional de mercado pelas empresas, fixação de preços e troca de clientes entre as empresas. Mariana afirmou que, se for confirmada a prática de cartel, o prejuízo decorrente pode ter afetado todo o setor de construção civil no País.
Abertura da investigação só foi possível depois que um ex-funcionário da Votorantim denunciou as práticas do suposto cartel.
Como exemplo dessas práticas, ela citou a realização de reuniões entre executivos das diferentes companhias, em hotéis, com o objetivo de fazer uma divisão regional de mercados entre os concorrentes, que têm presenças diferenciadas em cada região do País. As empresas também definiriam conjuntamente preços e quantidades de concreto e cimento a serem vendidos.
Ela informou que a abertura da investigação foi possível depois que a SDE encontrou um ex-funcionário da empresa Votorantim que trabalhou como gerente de vendas na Região Sul e denunciou o que se suspeita sejam práticas de cartel.
No início de fevereiro, depois de conseguir um mandado judicial, a SDE realizou com a Polícia Federal e o Ministério Público uma operação de busca e apreensão nas sedes de seis das empresas suspeitas e recolheu documentos e computadores. Segundo Mariana, a SDE não pode ainda comentar o teor desses documentos apreendidos por estarem sob sigilo de Justiça.


