Arquivo FolhaAlta linearEm algumas regiões do País, a Secretaria de Direito Econômico encontrou preços das principais marcas reajustados em 10%. Empresários dizem que produto subiu em média 23% desde o início do Real, contra inflação de 53%As cervejarias brasileiras têm prazo até o dia 28 para apresentar à Secretaria de Direito Econômico (SDE) do Ministério da Justiça novos documentos sobre o aumento dos preços do produto nas últimas semanas. A SDE e a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda, decidiram ontem intensificar as investigações sobre formação de cartel das cervejarias. ‘‘Vamos aprofundar o levantamento dos preços nas várias regiões do País’’, disse o secretário de Direito Econômico, Ruy Coutinho.
Os representantes de quatro empresas (Brahma, Antártica, Kaiser e Schincariol) e do Sindicato da Indústria da Cerveja (Sindicerv) reuniram-se ontem por quase duas horas com os secretários de Direito Econômico e de Acompanhamento Econômico, Bolívar Moura Rocha. A explicação dos empresários sobre a reunião do setor, realizada em março, quando teria sido acertado o aumento conjunto e linear dos preços, não convenceu os dois secretários.
Segundo os representantes da indústria, naquela reunião tratou-se apenas da base de cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para o setor. Esta reunião, afirmaram, teria sido feita a pedido do Conselho de Politica Fazendária (Confaz), que reúne os secretários de Fazenda de todos os estados. Os empresários garantiram que o aumento de preços da cerveja não entrou na discussão.
A SDE constatou, nas últimas semanas, em Minas Gerais, um aumento de 10% no preço da cerveja de todas as empresas, fato que contraria informação prestada pelas indústrias do setor. Para verificar a variação de preços nos outros estados, a SDE solicitou que todas as empresas enviem as tabelas com os valores do produto por região e por tipo de embalagem.
Segundo os empresários, desde o início do Plano Real, em julho de 1994, o preço da cerveja aumentou apenas 23%, enquanto a inflação no período chegou a 53%. No mesmo período, o consumo de cerveja aumentou 26%. Os empresários justificaram, também, que este ano deverá haver uma ‘‘bolha de consumo’’ entre junho e julho, em razão da Copa do Mundo.
Com o aumento da demanda, é provável que aconteça aumento de preços neste período. O histórico do setor, porém, como lembrou o secretário Ruy Coutinho, é que os preços da cerveja costumam sofrer redução entre fevereiro e setembro. A partir de então, quando começa o verão, começam a subir e alcançam seu pico em dezembro e janeiro. Portanto, segundo Coutinho, não há justificativa para aumentos em março.

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