Cláudia Lopes
De Londrina
O grupo Atlas/Schindler quer fazer do Brasil uma plataforma de exportação de elevadores e escadas rolantes para a América Latina. O presidente mundial da Schindler, Peter Zbinden, visitou ontem as instalações da fábrica da Atlas em Londrina.
O grupo suíço, que havia adquirido 63,64% das ações da Atlas em maio passado, arrematou anteontem 8,5 milhões de ações dos sócios minoritários em leilão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), passando a deter 98% das ações da empresa. As ações foram compradas, anteontem, por R$ 26,5 cada. Em maio, a Schindler pagou R$ 30,3 por ação negociada. Ao todo, a Schindler desembolsou cerca de R$ 700 milhões na aquisição da Atlas.
Zbinden pretende agora transformar as duas indústrias brasileiras do grupo – em Londrina e Rio de Janeiro – em plataformas de elevadores e escadas rolantes para exportação. ‘‘Com a Schindler, a Atlas poderá ampliar o volume de exportação já que aumentará sua competitividade internacional. Antes, cerca de 98% da produção da empresa atendia o mercado interno e 2% era exportado’’, afirmou Plínio Musetti, presidente da Elevadores Atlas, que também esteve ontem em Londrina. Segundo ele, o projeto do grupo prevê aumento de geração de empregos na fábrica londrinense no próximo ano. ‘‘Mas ainda não sabemos quantas vagas serão abertas’’.
Peter Zbinden afirmou ter gostado do município e garantiu que a fábrica local continuará operando normalmente. Ele, Musetti e o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), José Cândido Miller Júnior, sobrevoaram a cidade de helicóptero ontem à tarde, depois de participar de um almoço com o prefeito Antonio Belinati.
Segundo Musetti, a compra da Atlas pela Schindler não vai interferir na composição da diretoria da empresa. ‘‘Vai continuar tudo igual’’, garantiu. Por enquanto, ambas continuam operando separadamente. A fusão operacional acontece até o final deste ano. O novo nome da empresa ainda não foi definido. ‘‘Provalvelmente, vamos integrar os nomes das duas companhias’’.
O presidente mundial da Schindler não quis revelar a previsão de investimento no País para o próximo ano. ‘‘Vamos consolidar a integração das duas empresas. Para se ter sucesso na América Latina é preciso manter uma posição forte no Brasil’’, enfatizou Zbinden. O faturamento mundial do grupo suíço anualmente é de US$ 5 bilhões. No ano passado, o faturamento líquido da Atlas foi de R$ 360 milhões.
A Schindler, que mantém negócios em 95 países, está presente no Brasil desde 1937. Fundado há 125 anos, o grupo tem 45 mil funcionários e ‘‘transporta’’ diariamente 500 milhões de pessoas em elevadores, esteiras e escadas rolantes em todo o mundo.

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