Sorocaba- A Schincariol, segunda maior cervejaria do País, trabalha há três anos em um projeto para nacionalizar a produção do seu malte, principal matéria-prima utilizada na fabricação da cerveja. A empresa fez parceria com órgãos de pesquisas, como a Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) e o Departamento de Produção de Sementes da Secretaria de Agricultura paulista, para desenvolver cultivares de cevada cervejeira adaptados às condições brasileiras.
Agora, vai patrocinar o primeiro Dia de Campo para fomentar o cultivo entre os agricultores de São Paulo. Segundo o diretor Francisco Flora Neto, o objetivo é reduzir a dependência do malte importado. ''O Brasil é grande exportador de grãos mas, no caso do malte feito a partir da cevada, importamos de 70% a 80% do nosso consumo.''
As variedades desenvolvidas pela Embrapa Trigo, de Passo Fundo (RS), e Embrapa Cerrado, de Goiânia (GO), mais os cultivares da Cati paulista foram levados a vários campos experimentais, três deles em fazendas da própria Schincariol. ''Os resultados foram muito bons'', disse Flora Neto.
Na região sudoeste de São Paulo e nos cerrados do centro-oeste do País, os cultivos experimentais tiveram produção bastante elevada. ''Enquanto no Rio Grande do Sul se colhe de 3 a 4 toneladas de grãos por hectare, no cerrado, com irrigação, chega-se a 7 toneladas e com muita qualidade.''
''Somos a única cervejaria 100% brasileira e achamos importante contribuir para criar mais emprego no campo.'' A Schincariol importa regularmente cevada da Austrália, Argentina, Uruguai e outros países produtores. ''Com a produção do malte no País, ficaremos dependendo apenas da importação do lúpulo, outro ingrediente da cerveja.''

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