São Paulo - O laboratório farmacêutico alemão Schering aceitou a oferta de aquisição de US$ 19,6 bilhões, feita pelo conglomerado químico alemão Bayer ontem. A oferta do grupo Bayer superou a oferta hostil feita pelo Merck, de US$ 17,9 bilhões.
A Merck informou, em um comunicado, que abandonou a disputa porque sua diretoria avaliou que não era justificável um aumento de sua oferta para ficar com a Schering.
O executivo-chefe da Bayer, Werner Wenning, disse que cerca de 6.000 postos de trabalho devem ser cortados ''nos próximos anos''. Ele não forneceu detalhes, no entanto.
Segundo Wenning, a aquisição deve ser submetida à aprovação do BaFin (sigla em alemão para Departamento Federal de Controle de Serviços Financeiros, órgão que regula o mercado acionário da Alemanha). O executivo-chefe da Schering, Hubertus Erlen, afirmou que, para a empresa, tornar-se parte da Bayer é um passo estratégico. ''Os dois negócios são complementares e seguem a mesma estratégia'', disse. ''Juntas, se tornarão ainda mais competitivas internacionalmente.''
A Schering havia rejeitado a oferta no último dia 12, dizendo que subestimava o valor da companhia. ''Não precisamos nos unir à Merck para poder tocar nossos negócios com sucesso'', disse então o porta-voz da Schering Christof Ehrhart.
Erlen informou que as negociações com a Bayer começaram no dia 13 deste mês e que a Schering não podia mais permanecer independente. ''O quadro de executivos da Schering apoia unanimemente a proposta da Bayer'', disse, acrescentando que a empresa deve organizar em breve uma reunião de supervisores para firmar o negócio - que também precisa ainda da aprovação das autoridades reguladoras.
O prefeito de Berlim (capital da Alemanha), Klaus Wowereit, disse que irá discutir com a direção da Bayer ''o futuro da empresa e a questão das demissões''.
Fundada em 1863, a Bayer fabrica desde produtos químicos para o setor agrícola a celulose. Hoje, a empresa emprega cerca de 93 mil funcionários.
A Schering foi fundada em 1851 como uma farmácia. Hoje, emprega mais de 24 mil funcionários no mundo todo. A ligação da empresa com sua antiga subsidiária americana, a Schering-Plough, foi interrompida durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e as duas não se reaproximaram mais.

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