Scheffer quer despersonalizar e democratizar a fedederação
Curitiba - O empresário Alvaro Luiz Scheffer quer transformar a Fiep em um órgão democrático, dividido em colegiados capazes de fazer com que os diretores tenham mais participação nas decisões de programas e investimentos necessários. Vice-presidente do Sistema Fiep há quatro anos, Scheffer reclama que nunca teve voz dentro das reuniões do conselho. As decisões, segundo o empresário, eram tomadas de forma individualizada. Scheffer é empresário do setor madeireiro, fundador do Sindicato das Empresas de Metalurgia de Ponta Grossa, proprietário da Águia Florestal - madeireira dos Campos Gerais.
Folha de Londrina- O que o senhor pretende apresentar como plataforma administrativa para atrair o voto dos industriais?
Alvaro Scheffer- Minha maior bandeira é fazer com que a administração da Fiep seja feita por um colegiado. Somente assim, poderemos interpretar as reais necessidades da indústria do Paraná. Vamos valorizar os sindicatos patronais com o objetivo de identificar os regionalismos. As indústrias de cada região deverão debater seus problemas setoriais e locais. Elas terão que vir até a Fiep e terem seus pleitos atendidos pelo sistema.
Folha- Não é o que acontece hoje?
Scheffer- A diferença é que em vez de imaginarmos demandas, que nem sempre atendem as reais necessidades da indústria, nós deveremos verificar o que realmente precisa ser internamente feito em prol de cada setor, de cada região. Vamos buscar junto com a indústria fazer um planejamento de investimentos.
Folha- O que será o colegiado?
Scheffer- A diretoria irá tomar decisões em colegiado. São 15 vices, três secretários, três tesoureiros que sentarão com a presidência para serem ouvidos. Eu nunca fui ouvido nas reuniões. Ia para falar e tinha que ouvir. Quando me candidatei para vice, meu foco era ter participação efetiva. Não tive.
Folha- Isso levou a diretoria a erros, na sua visão?
Scheffer- Houve desvio de foco nos projetos. Muitos projetos não têm ligação com a indústria. Perdemos representatividade nas indústrias. A participação dos industriais na Fiep reduziu demais. Houve um investimento grande, mas o industrial não foi ouvido. Houve gasto desfocado, desnecessário mesmo. Hoje temos demanda por qualificação técnica de mão-de-obra. Isso tem que ser um processo dinâmico junto ao Senai. Precisamos de qualificação industrial e o Sesi tem que estar preparado para isso. Temos que ser mais objetivos.
Folha- Com o colegiado, o sistema ficaria interno semelhante ao parlamentarismo?
Scheffer- O colegiado será dividido em diretoria deliberativa e diretoria executiva profissional. A diretoria deliberativa é eleita e composta por industriais. Cabe a ela deliberar o que fazer. O presidente participa dela como voto de minerva e como coordenador. É como o Conselho Administrativo de grandes empresas privadas ou estatais. A diretoria executiva profissional é a que vai colocar em execução o que foi deliberado. Ela é remunerada e tem trabalho integral.
Folha- A separação das diretorias é uma inovação?
Scheffer- Não. O que ocorreu na gestão atual é que houve uma confusão entre competências das duas diretorias. A eleita não teve função efetiva. Cabia ao presidente e somente a ele a função deliberativa. O problema é que centralizar as decisões num empresário de um determinado setor é um risco. Ele entende do ramo dele. E os demais? O que vamos fazer é romper com este ciclo.
Folha- O fato de ter somado a sua chapa o candidato do governo, Octaviano Basílio Duarte, não traz um comprometimento dos diretores com os ideais do governo do Paraná? Isso não dificulta a luta por ideais dos industriais quando os mesmos não forem da vontade do governador?
Scheffer- Compomos com o Octaviano porque tínhamos ideais semelhantes. O que eu estava propondo era o mesmo que ele. Queremos cobrir todo o Estado e, por isso, agregamos idéias trazidas, apoios. Temos um objetivo em comum com o Estado que é o desenvolvimento da indústria do Paraná. Nossa intenção é fazer com o governo um trabalho com quatro mãos. A Fiep é importante para que o governo atinja suas metas. Temos que ter um canal aberto com o Estado para discutir as necessidades. Um canal de ligação com o governo é importante.
Folha- Mas não vai comprometer as decisões internas?
Scheffer- Não cabe à federação ter um posicionamento político, ideológico ou partidário. Quero deixar claro que vamos buscar apoio de todos os deputados do Paraná -sejam estaduais ou federais. Não vamos nos restringir a um único partido. Queremos fazer uma parceria com o governo do Estado. Mas vão existir momentos em que as posições serão diferentes. Vamos promover o debate adulto e civilizado para chegarmos a um bom termo. Para discutirmos qualquer tema, o grupo terá importância e influência antes de tomadas de decisões - os conselhos.
Folha- Quanto a interiorização, alguma meta especial?
Scheffer- Nossa meta é fazer com que a federação não fique enclausurada em Curitiba. As reuniões do conselho serão itinerantes. Temos que ir para Londrina, por exemplo, com todo o conselho para voltar a ter na Fiep representação e representatividade. Principalmente por causa do pequeno industrial, que não tem acesso a Fiep. Vamos voltar a ter também relacionamento com as outras federações como a Faciap, a Fetaep e a Faep. Temos problemas em comum. Queremos uma interação do setor produtivo. A Fiep quer ser um elo a mais de produção.





