São Paulo - Os cerca de 2 mil funcionários da Scania em São Bernardo (ABC paulista) aceitaram, em assembléia realizada ontem, a proposta de reajuste salarial de 18,01% oferecida pela montadora. Com a aceitação, os trabalhadores encerraram a greve, que já durava dois dias.
A proposta da Scania prevê o pagamento integral da inflação (15,7%) e mais 2% de aumento real, o que totaliza 18,01% para quem ganha até R$ 5 mil. Para os trabalhadores que ganham mais do que isso, haverá um aumento fixo de R$ 785.
A empresa também vai pagar no dia 15 um abono de R$ 600 para compensar a antecipação da data-base dos metalúrgicos de novembro para outubro.
Ao contrário da Scania, as outras montadoras do ABC paulista preferiram recorrer ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo em vez de negociar uma nova proposta de reajuste. É o caso da DaimlerChrysler do Brasil, General Motors do Brasil e Volkswagen do Brasil, que protocolaram no TRT-SP um pedido de dissídio coletivo. O julgamento da greve está marcado para a próxima terça-feira.
O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, lamentou a decisão das demais montadoras. ''Elas (empresas) preferiram o pior caminho, que é deixar para a Justiça solucionar um conflito. Não quiseram negociar uma nova proposta salarial'', disse Feijóo.
O Sindicato dos Fabricantes de Veículos Automotores (Sinfavea) ofereceu 15,7% de reajuste apenas para quem ganhasse até R$ 4.200. Para empregados com salários superiores a R$ 4.200 por mês, as montadoras ofereciam um aumento fixo de R$ 659,40. Os trabalhadores querem aumento real de salário - o porcentual de 15,7% representa a inflação integral do período medido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

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