Scalco volta a condenar venda da Copel
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de agosto de 2001
Carmem Murara<BR>De Curitiba 
O diretor-geral brasileiro de Itaipu Binacional, Euclides Scalco, voltou a condenar ontem a iniciativa do governo do Estado de privatizar o setor de geração de energia da Copel. Segundo Scalco, as usinas hidrelétricas representam um segmento estratégico para o País, principalmente num momento em que há uma crise de energia. Scalco falou a um grupo de funcionários da Copel e convidados que participou ontem do Simpósio sobre ''Geração Distribuída usando a Célula a Combustível''.
O tema da palestra foi a crise energética. Scalco condenou o modelo de privatização que foi adotado no País, principalmente a partir de 1997, quando foram aceleradas as vendas das distribuidoras de energia. Hoje, 70% das distribuidoras já estão privatizadas. A Copel é a bola da vez, com leilão marcado para ocorrer em 31 de outubro. A transmissão ainda permanece nas mãos do governo assim como 78% da geração.
Scalco disse que os problemas enfrentados hoje por conta da desregulamentação têm vício de origem. Ele citou como exemplo de falha, a contratação da empresa inglesa de consultoria Coopers & Lybrand para apresentar a proposta de abertura do setor. ''Seria mais pertinente contratar uma empresa de um País, onde a matriz energética é hidráulica, igual ao Brasil'', disse. A Inglaterra tem sua geração de energia baseada em termelétricas.
O diretor-geral de Itaipu disse, no entanto, que não há como mudar o novo cenário do setor energético brasileiro. ''O modelo não é correto, mas é irreversível'', disse. O novo mercado determinou a desverticalização das companhias, instituiu a livre concorrência entre geração, distribuição e transmissão, criou o mercado 'spot' (venda do excedente de energia, além do que prevê os contratos) e estabeleceu ainda o agente regulador (Aneel).
Scalco disse que os projetos para ampliação da capacidade geradora precisam deslanchar. Ele teceu um panorama das novas obras previstas e disse considerar a hidrelétrica de Belomonte, no Rio Xingu (Pará), como prioritária. O sistema de chuvas do Norte do Brasil é inverso ao do Centro-Oeste o que representaria um ganho em períodos de estiagem.
Quanto ao racionamento, o diretor de Itaipu reforçou a necessidade de a população das regiões Sudeste, Nordeste e Centro-Oeste continuarem com corte de 20% no consumo. Só assim será evitado a aplicação do Plano B, que prevê os apagões. Ele disse também que o Sul precisa manter a redução de 7%.
''Quanto mais se economiza no Sul, mas sobra água nos reservatórios para que se possa gerar energia para as outras regiões'', disse. O governo lançará uma nova campanha para manter a população estimulada a economizar energia, pois em muitas cidades não foi atingida a meta estipulada.


