SC à espera de 3,15 milhões de turistas
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sábado, 04 de novembro de 2006
José Maria Tomazela<br> Agência Estado 
Florianópolis - As praias de Santa Catarina são uma prova de que a economia argentina está em recuperação. O ''portunhol'', mistura do português com a língua castelhana, voltou a ser ouvido nas areias brancas de Canasvieiras e da Praia dos Ingleses, os pontos mais frequentados pelos ''hermanos'' em Florianópolis. A invasão está só começando: até março, 150 mil argentinos - 20 mil a mais que no verão passado - devem visitar o Estado.
O empresário José Luz e sua mulher Tereza chegaram de Buenos Aires com os pequenos Inácio e Ronaldito. As crianças se divertem com as ondas, vigiados de perto pelo pai. ''Vamos ficar 8 dias em hotel, mas no ano que vem alugamos um apartamento'', disse Luz. Ele conta que a situação econômica em seu país ainda não é a mesma de antes da crise de 2002, mas já permite algumas regalias. ''Vir para cá é o que todo argentino quer nesta época.''
A família preferiu a baixa temporada por causa dos preços, mas ainda assim o empresário reclama. ''Está tudo caro.'' Os vizinhos platinos representam 77% do total de estrangeiros que irão procurar as praias catarinenses na temporada que, pela primeira vez, terá também uma presença maior de americanos. Conforme estimativas da Santur, órgão oficial do turismo do Estado, o litoral catarinense receberá 212 mil estrangeiros nesta temporada.
Há 4 anos, no auge da crise argentina, o número havia caído para cerca de 100 mil. Eles devem contribuir com US$ 58,2 milhões (R$ 124,2 milhões) para a economia da região. Um dinheiro oportuno, já que o Estado sentiu a crise na agricultura e a queda nas exportações de carne suína e de frango.
O turismo responde por 8% da riqueza produzida em Santa Catarina, segundo o presidente da Santur, Jorge Nicolau Meira. ''Esperamos fechar a temporada com mais de 3 milhões de visitantes, incluindo os brasileiros.'' Em números exatos, apontados num estudo feito pelo órgão, devem visitar o Estado 3,15 milhões de turistas, 377 mil a mais do que no verão passado.
Os brasileiros vêm principalmente do Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. O grande fluxo de argentinos acontece no início de janeiro, pois em dezembro ainda há aulas na Argentina.
Os argentinos estão preferindo alugar imóveis bem localizados, na faixa de US$ 1 mil por mês, segundo o corretor José Carlos Paiano. O corretor Daniel Pereira, que atua na Praia dos Ingleses, conta que os argentinos aprenderam a pechinchar. ''Procuram imóveis mais em conta, pedem descontos e isenção de taxas.''
O comerciante Paulo Benur, dono de um restaurante à beira-mar, conta que o movimento de argentinos também foi bom no ano passado. ''Vieram com menos dinheiro e estão voltando porque adoram isso aqui.''
O comerciante José Veras, dono de um quiosque na Praia Mole, conta que os americanos serão a novidade do verão. ''Estão vindo em grupos e gastam mais que os argentinos.'' Os estudantes nova-iorquinos Daniel Franka, Elizabet Hunt e Hannah McKimm estão no Brasil pela primeira vez e incluíram Florianópolis no roteiro por causa das praias que viram na internet. Hannah se encanta com a Mole. ''É a mais bonita que já vi.''
Gastos - O turista sul-americano gasta em média US$ 24,84 por dia, enquanto o gasto do brasileiro é de US$ 21,03. Os dados são de estudo da Santur, órgão oficial do turismo de Santa Catarina. No caso do americano e do europeu, o gasto médio diário passa de US$ 35. É o que tem levado a Santur a investir na abertura de novos mercados.
Na segunda-feira, Meira embarcou para os Estados Unidos a fim de assinar protocolo com mais uma operadora, a oitava naquele país. O interesse em atrair os americanos, que ainda representam menos de 1% dos estrangeiros, deve-se a um esforço do governo para reduzir a sazonalidade do turismo, concentrado no verão. ''Eles não vêm só pelas praias, gostam também das serras e cânions.''
A Santur elaborou nove roteiros turísticos regionais incluindo, além das praias, a serra, o sul, os cânions, o vale europeu e o oeste, destacando a cultura, a história, as festas e a culinária. Os folhetos estão em várias línguas e oferecem opções para os adeptos do turismo de aventura.
Depois dos argentinos, são os paraguaios, chilenos e uruguaios que mais procuram Santa Catarina. Com a crise na Argentina, a Santur decidiu investir no Chile. ''Estamos saindo de 1% de chilenos na temporada passada para 5% nesta.'' A Lanchile terá 4 vôos semanais de Santiago a Florianópolis a partir deste mês. Por causa dos vizinhos sul-americanos, Santa Catarina é o Estado brasileiro com mais vôos charter.


