São Paulo - O volume de endividamento das empresas de capital aberto caiu R$ 20,46 bilhões (13,7%) nos últimos dois anos, de R$ 149,23 bilhões para R$ 128,77 bilhões. Só no ano passado, a redução foi de R$ 11,9 bilhões - um reflexo dos resultados espetaculares registrados pelas companhias em 2004, com aumento de receitas, lucros e produtividade. Os números fazem parte de levantamento feito pela consultoria Economática e revelam melhora na saúde financeira de boa parte das 126 empresas incluídas no trabalho.
Um exemplo é o avanço da relação dívida bruta/lucro operacional próprio (antes dos juros e impostos), que mede a capacidade das companhias de honrar seus compromissos. Em 2002, esse índice estava em 27%, chegou a 35,6% em 2003 e saltou para 58,7% no ano passado. Essa relação indica que, para cada R$ 100 de dívida, as empresas conseguiram R$ 58,7 de lucro operacional. ''É uma folga importante'', analisa o presidente da Economática, Fernando Exel.
Com a retomada da atividade econômica, o fluxo de caixa das empresas melhorou e elas passaram a ter mais recursos para honrar dívidas. Algumas, porém, optaram pela reestruturação dos débitos, alongando vencimentos e negociando juros menores, afirma o presidente da consultoria Austin Rating, Erivelto Rodrigues.
Entre os setores que mais reduziram o endividamento em 2004 está o setor químico (23,11%), alimentos e bebidas (17,76%), siderurgia e metalurgia (15,09%) e têxtil (11,5%). No caso de siderurgia e metalurgia - cujo desempenho no ano passado foi um dos melhores da história, especialmente por causa da alta do preço do aço -, a dívida caiu de R$ 32,7 bilhões para R$ 27,8 bilhões. Na Companhia Siderúrgica de Tubarão, o recuo foi de 37%, na Acesita, 30,3%, e na Usiminas, 29,7%.
Outra explicação para a redução do nível de dívidas está na desvalorização do dólar ante o real, já que boa parte dos débitos das empresas está em moeda estrangeira. Em 2002, com dólar em R$ 3,533, a participação dos débitos em moeda estrangeira era de 71,7%. No ano passado, com a queda do dólar para R$ 2,654, a participação caiu para 61,8%.
Mas essa redução não se deve apenas ao recuo do dólar. Para o consultor da Global Invest, Márcio Bandeira, a melhora do mercado interno, com dólar estável, juros menores em 2004 e retomada do crescimento, incentivou as empresas de capital aberto a trocar parte de suas dívidas em moeda estrangeira por moeda local.

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