Saúde envia especialistas ao Estado
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quarta-feira, 20 de novembro de 1996
Agência Folha 
BRASÍLIA - O Ministério da Saúde enviará dois especialistas em neonatologia para investigar as mortes de 49 bebês ocorridas em 16 dias na Maternidade Assis Chateaubriand, em Fortaleza (Ceará). Segundo Ana Goretti, coordenadora do Programa de Saúde da Criança do ministério, o número de óbitos é alto porque a maternidade é especializada em partos de alto risco. São partos em que as chances de sobrevivência não são grandes, afirmou.
A equipe do Ministério da Saúde será formada por Goretti e uma médica especializada em partos de prematuros. O secretário da Saúde do Ceará, Anastácio Queiróz, está levantando os atestados de óbito para saber quantos bebês morreram de fato em decorrência de infecção.
Ela advertiu que as mortes podem ter aumentado em Fortaleza porque nasceram muitos bebês com anomalias congênitas ou com condições gerais muito delicadas.
Entre os dias 16 e 31 de outubro, dez bebês morreram no Hospital Universitário Antônio Pedro, em Niterói (13 quilômetros do Rio). A princípio, o diretor médico do hospital - ligado à Universidade Federal Fluminense -, Marco Antônio de Andrade, disse que se tratava de um surto de infecção hospitalar e responsabilizou a lotação. No início do mês, havia 40 bebês internados em um local com capacidade para 34.
Os corpos dos dez bebês mortos foram examinados, e em apenas um deles foi encontrada a bactéria Kleibisiella, a suposta causadora do surto. Os outros recém-nascidos haviam morrido por serem prematuros ou por terem más-formações. As transferências de bebês para outros hospitais foram interrompidas depois que se constatou que não havia surto de infecção. O diretor médico do hospital admitiu que havia se equivocado.


