Saúde e alimentos pressionam inflação
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segunda-feira, 07 de maio de 2001
Agência FolhaDe São Paulo 
O ICV (Índice do Custo de Vida) registrou alta de 0,39% em abril, segundo cálculo divulgado ontem pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). A taxa de abril ficou 0,09 ponto percentual inferior à apurada no mês de março, de 0,48%. Nos últimos 12 meses, o ICV acumula alta de 7,09%.
Segundo o Dieese, as elevações mais expressivas em abril foram registradas nos preços dos grupos saúde (1,48%) e alimentação (0,98%). Dentro do grupo alimentação, o subgrupo produtos in natura e semi-elaborados registraram o maior aumento (1,40%), seguidos por alimentação fora do domicílio (0,74%).
Segundo a coordenadora do ICV, Cornélia Nogueira Porto, os alimentos que mais pressionaram os preços foram batata (14,90%), cebola (21,96%), feijão (9,63%) e aves e ovos (4,22%). O feijão não registrou a maior variação percentual, mas é um item que pesa muito no bolso do consumidor, pois faz parte de sua alimentação diária, disse Cornélia. Números do Dieese mostram que o feijão registra um aumento de 33,53% no ano e 77,53% nos últimos 12 meses.
Os gastos com a saúde subiram em função da alta nos seguros e convênios médicos (2,62%), que influenciou a taxa do subgrupo assistência médica (2,06%). Segundo Cornélia, os planos de saúde acumulam alta de 5,97% ano ano e 17,45% nos últimos 12 meses.
A pesquisa do ICV mostra também que a inflação de abril pesou mais no bolso das famílias de baixa renda. Nos meses anteriores, a alta de preços atingia de forma mais intensa o orçamento das famílias de maior poder aquisitivo.
Para as famílias mais pobres (renda média de R$ 377,49), o ICV apurou uma inflação de 0,48%, ou seja, 0,02 ponto percentual a mais que a taxa registrada em março, de 0,46%.
De acordo com a pesquisa, a inflação das famílias com rendimento intermediário (renda média de R$ 934,10) foi de 0,40% em abril, 0,08 ponto percentual a menos que a taxa do mês anterior, de 0,48%.
Para as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90), o ICV apurou a menor variação de preços de abril, de 0,37%. Esse resultado é bem menor que a taxa de 0,49% registrada em março.
Segundo o Dieese, as diferenças nas taxas por estrato de renda têm origem nas variações de preços dos grupos e subgrupos do ICV, que afetam de forma diversa as famílias, de acordo com a faixa de renda.
As famílias de baixa renda sofreram mais com os aumentos de preços verificados no grupo alimentação, responsável por 0,40 ponto percentual no resultado de seu índice, de 0,48%.
Apesar de ter registrado a menor taxa, as famílias de maior poder aquisitivo foram bastante afetadas pelo aumento no grupo saúde, que contribuiu com 0,20 ponto percentual no índice final de 0,37%. No entanto, essas famílias foram as que mais se beneficiaram pela queda nos preços do grupo transportes, responsável por uma diminuição de 0,09 ponto percentual no resultado de seu índice.


