Satélite vai monitorar doenças
Um satélite é o mais novo aliado do Fundo para a Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Desde o mês de setembro, técnicos da fundação estão trabalhando para mapear as propriedades citrícolas do Estado através do programa Global Positioning System (GPS). Os primeiros resultados do projeto deverão estar concluídos até dezembro e, segundo o presidente da fundação, Ademerval Garcia, em um ano será possível identificar claramente todas as regiões afetadas pela doença, inclusive nos demais Estados como Paraná e Minas Gerais, por enquanto.
Até então identificávamos apenas os focos existentes em um município, mas com o satélite será possível acompanhar a evolução da doença e até mesmo para onde ela está caminhando, afirmou.
Segundo ele, o programa no qual foram investidos R$ 400 mil, ainda vai estudar as correntes de ventos do Estado para prevenir a possibilidade de contaminação de uma área via aérea. É mais um dos passos definitivos para erradicar o cancro dos pomares, afirmou. Segundo ele, isso será possível apenas em pelo menos cinco anos.
Atualmente, existem no Estado 384 focos de cancro, enquanto em todo o ano passado foram registrados 190 focos. Apesar do elevado volume, Garcia diz que o crescimento do número de focos está sofrendo uma retração. Entre 96 e 97 tivemos um crescimento de 240% no número de novos focos e este ano registramos por enquanto 163%. Isso é alto, mas já demonstra um retrocesso, acredita o presidente do Fundecitrus, que também preside a Associação Brasileira de Exportadores de Citros (Abecitrus).
O presidente do Fundecitrus, Ademerval Garcia, atribui a retração do crescimento no número de focos no Estado a uma maior conscientização do produtor no exame de sua propriedade. Já recebemos o retorno de aproximadamente seis mil laudos no Estado. Isso significa que o proprietário de terras aderiu à movimentação criada pelo Fundo, que prevê que cada um tome conta do seu próprio pomar. O laudo terá validade de um ano para propriedades livres de focos da doença. Após a inspeção, ele deve ser preenchido em três vias e entregue na Casa de Agricultura de 14 municípios do Estado.
Garcia admitiu que existe a possibilidade de os laudos estarem sendo forjados. Mas o Fundo só tem condições por enquanto de checar a veracidade de 20% destes laudos. O importante é que o proprietário da área perceba que se o laudo for forjado, somente ele é quem será prejudicado, disse. Ele também acredita que o elevado preço da laranja está fazendo com que o produtor tenha mais cuidado com os pomares para evitar perder quantias elevadas de dinheiro.
As áreas de maior concentração e focos de cancro cítrico ainda são as que margeiam os lados esquerdo e direito do Rio Tietê, mas segundo técnicos do Fundecitrus existe uma tendência do cancro estar se espalhando para a outra margem também do Rio Grande, invadindo o Triângulo Mineiro.ArquivoPomares serão observados de cimaKelly Lima
Agência Estado





