Embora o perfil do FGTS tenha melhorado com o crescimento da atividade econômica e, consequentemente, com o aumento do emprego formal, os dados do governo demonstram elevação dos saques para aquisição da casa própria. Ao contrário do saque por demissão sem justa causa, que vem se mantendo em torno de R$ 1 bilhão por mês, o saque para a casa própria saiu de um nível de R$ 200 milhões no início do ano para R$ 250 milhões a partir do mês de maio.
O aumento deste tipo de saque só está preocupando o
governo porque o FGTS precisa gerar saldo para pagar a correção monetária determinada pela Justiça. Esta conta, com base nos cálculos feitos pelo Banco Central, pode chegar a R$ 38 bilhões, se for aplicado o índice de 68,9%. Os técnicos do governo explicaram que, apesar do FGTS, ter um saldo disponível da ordem de R$ 12 bilhões, apenas R$ 7 bilhões são líquidos.
Este saldo líquido, no entanto, não pode ser zerado com
o pagamento da correção das contas. É da aplicação desse dinheiro – constituído do retorno dos investimentos já feitos mais sobra de caixa do próprio fundo – que sai o recurso para a remuneração dos saldos dos trabalhadores, corrigidos mensalmente pela Taxa referencial de Juros (TR) mais juros de 3% ao ano. É também dessa disponibilidade que sai o dinheiro para a aplicação em novos financiamentos.
Pelos dados do governo, o FGTS tinha, em agosto, R$ 69,9 bilhões aplicados em habitação e saneamento básico. O retorno desse dinheiro, nos últimos 12 meses, tem girado em torno de R$ 380 milhões/mês.

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