Saques em poupança superam depósitos
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segunda-feira, 21 de janeiro de 2002
Agência Folha 
São Paulo A caderneta de poupança sofreu mais saques do que depósitos em 2001. De acordo com dados do Banco Central, o total de aplicações menos o total de retiradas, excluindo-se os juros do período, resultou numa captação líquida negativa de R$ 1,86 bilhão.
Ao longo do ano passado foram depositados R$ 430,5 bilhões, contra um resgate de R$ 432,4 bilhões. O patrimônio total da caderneta só não diminuiu em relação a 2000 porque o resultado com os rendimentos (8,6%) compensaram a perda com captação. Com a contabilização dos juros, o saldo total da poupança passou de R$ 111,7 bilhões em dezembro de 2000 para R$ 118,7 bilhões no final de 2001.
Embora alguns profissionais de mercado destaquem só o crescimento do saldo total, na visão de alguns especialistas, na hora de analisá-la, o importante é olhar a diferença entre aplicações e resgates. Para mostrar o crescimento real é necessário excluir os juros. Só assim sabemos se houve ou não mais entrada do que saída de recursos, diz o professor Alberto Borges Matias, da USP de Ribeirão Preto.
A captação diminuiu no ano passado porque os bancos, com exceção de alguns que deram prêmios, não se interessaram em atrair clientes para a caderneta. A caderneta de poupança serve como fonte de recursos para o financiamento imobiliário, já que 65% da captação deve ser destinada a esse empréstimo.
Carlos Coradi, presidente da EFC Consultores, diz que alguns bancos não têm interesse em captar mais recursos para a poupança porque existe um risco à medida em que o crédito vai para o setor imobiliário. Há um descasamento entre a liquidez diária da poupança, na qual podem ser feitos saques a todo momento, e o tempo de financiamento do imóvel, que pode ser de dez ou 15 anos.


