Saques da poupança superam depósitos em R$ 11,438 bilhões
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de abril de 2015
Victor Martins<br> Agência Estado 
Brasília - Diante de um quadro de inflação persistente, endividamento elevado e dos juros e do dólar tornando outros investimentos mais atrativos, a caderneta de poupança registrou em março o pior desempenho da história. No mês, os saques superaram os depósitos em R$ 11,438 bilhões. Apenas no primeiro trimestre, as retiradas líquidas somaram R$ 23,230 bilhões. Os dados são do Banco Central.
Parte das saídas do produto financeiro se explica pela inflação elevada. Enquanto a poupança rendeu 1,6% no acumulado do primeiro trimestre, o indicador que mede o custo de vida bateu em 3,50% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo - 15 (IPCA-15). Com esse desempenho da caderneta, quem aplicou nela amargou perda real de 1,84%.
Tentando minimizar perdas, o brasileiro sacou recursos da poupança ou diminuiu o ritmo de depósitos. Em março, o saldo total da poupança ficou em R$ 650,290 bilhões, já incluindo os rendimentos do período, no valor de R$ 3,538 bilhões. Enquanto os depósitos do mês somaram R$ 159,660 bilhões, as retiradas foram de R$ 171,098 bilhões.
O Banco Central começou a compilar os dados atuais em 1995. Até o dado conhecido ontem, o maior resgate líquido mensal da poupança havia sido em fevereiro passado, de R$ 6,236 bilhões. Os resgates R$ 11,438 bilhões maiores do que os depósitos no mês passado são superiores que algumas das cifras negativas já registradas em um ano inteiro. Em 1999, por exemplo, o volume de retiradas líquidas no acumulado do ano foi de R$ 8,769 bilhões. Em 2000, o resultado ficou negativo em R$ 7,541 bilhões.
Apenas a poupança rural apresentou saques R$ 2,237 bilhões maiores que os depósitos em março. As aplicações somaram R$ 27,371 bilhões no mês, enquanto os saques foram de R$ 29,608 bilhões. Com esse desempenho, o saldo total da poupança rural ficou em R$ 137,988 bilhões, já somando R$ 754,604 mil em rendimentos.
A caderneta também tem sido alvo de especulações, o que pode ter levado a alguma retirada ou de alguma maneira contribuído para gerar resistência a essa modalidade de aplicação. Em meados do fevereiro, o Ministério da Fazenda divulgou nota à imprensa informando que não procediam as "informações que estariam circulando pela mídia social de que haveria risco de confisco da poupança ou de outras aplicações financeiras".
A nota da pasta dizia ainda que "tais informações são totalmente desprovidas de fundamento, não se conformando com a política econômica de transparência e a valorização do aumento da taxa de poupança de nossa sociedade, promovida pelo governo, através do Ministério da Fazenda".


