Saques bancário na Argentina já atingem US$ 900 milhões
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segunda-feira, 31 de dezembro de 2001
Agência Folha 
São Paulo - Os bancos argentinos registraram em novembro uma retirada de US$ 900 milhões nos depósitos de contas correntes e fundos de investimentos, segundo a consultoria Fundação Capital. Os saques correspondem a 1,5% dos cerca de US$ 60 bilhões que as instituições daquele país têm contabilizados em suas contas.
A fuga de dinheiro impressiona também porque foi justamente no final de novembro que o governo do ex-presidente Fernando De la Rúa limitou os saques em US$ 250 semanais. Sem a restrição, os saques poderiam ser maiores.
Segundo os técnicos da Fundação Capital, o atual governo não deve liberar os saques dos bancos justamente para evitar mais instabilidade econômica.
O desempenho industrial da Argentina em novembro sofreu uma retração de 10,4% sobre o mesmo período de 2000, segundo relatório da Fiel (Fundação de Investigações Econômicas Latino-Americanas) divulgado pelo jornal ''Ambito Financiero''. Em relação a outubro, a queda foi de 4,1%.
O ''argentino'', idealizado para ser a terceira moeda em circulação na Argentina, ao lado do peso e do dólar, pode nem chegar a existir.
O gabinete do presidente provisório, Adolfo Rodríguez Saá, está descartando a nova moeda pela recusa da população argentina em aceitar uma moeda que não estaria respaldada pelo dólar, na proporção de um a um, como, em tese, ocorre com o peso.
A aversão da população argentina à nova moeda começou a se esboçar na quarta-feira, quando o secretário da Fazenda, Rodolfo Frigeri, admitiu que o argentino seria uma moeda flutuante (a exemplo do real brasileiro) e que, por tanto, poderia se depreciar frente ao dólar.
Rodríguez Saá passou o dia reunido com assessores para decidir o que fazer da economia argentina. A única definição foi a abertura dos bancos, hoje, para atender aos aposentados. Nova reunião foi marcada para hoje para Chapadmalal, a casa de verão da Presidência, no litoral.


