Altos, baixos, de couro ou tecido, sandálias, sapatos, botas e botinas sob medida são uma opção para quem deseja um calçado diferenciado e confortável. Sérgio Soletti, um dos integrantes da dupla sertaneja Sérgio e Serginho, é comprador assíduo de sapatos sob medida, principalmente botas. ''A qualidade é outra e o conforto inigualável porque é moldado no pé. Nos shows é muito bom, mas também costumo usar no dia a dia.''
O cantor conta que o custo-benefício compensa porque o calçado dura bastante. ''Acabo até doando.'' Ele ressalta também a facilidade para escolher as cores, modelos e o couro que será utilizado. O que o ajuda inclusive a compor o visual para os shows. Sérgio encomenda suas botas há mais de 15 anos no mesmo local, a Creações My.
A empresa, que começou em São Paulo, atua em Londrina há mais de 28 anos. Waldinea Afini da Silva, proprietária da fábrica, conta que ela e o marido iniciaram a produção em São Paulo com sapatos femininos e optaram pelos masculinos quando vieram para Londrina. A fábrica produz entre 30 e 35 calçados por mês para poder manter a qualidade. ''Nós levamos mais de uma semana para produzir um par, na época de inverno leva mais tempo porque o couro demora mais para secar. Por isso não dá para fazer muitos pares'', explica.
As encomendas são feitas por dois funcionários treinados dentro da própria empresa. Eles produzem sapatos, chinelos, sandálias, mas o forte são as botas e botinas, entre os clientes que preferem esse tipo de calçados estão as duplas sertanejas e os fazendeiros. ''As duplas ficam muito tempo em pé e querem conforto. Os fazendeiros passam o dia todo de bota porque no trabalho que fazem é importante estar com os pés bem protegidos e também usam para sair. Esses são nossos clientes mais constantes'', explica Waldinea.
Alguns dos fregueses têm problemas para encontrar sapatos adequados e por isso fazem sob medida. ''Tem um cliente que calça 47, ele não encontra quase nada no mercado. Outro, por exemplo calça 41, mas a largura do pé dele corresponde ao 44 então tudo tem que ser feito sob medida.''
A fábrica produz também sapatos, mas apenas os modelos clássicos. Entre as curiosidades um salto embutido que permite aumentar a altura do cliente em alguns centímetros. ''Esse modelo normalmente é encomendado por noivos, pais de noivas ou padrinhos de casamento para compensar alguma diferença de altura.'' Os preços das botinas variam de R$ 290 a R$ 900, das botas ficam entre R$ 480 e R$ 1.600, chinelos e sandálias R$ 65 a R$ 180. Os sapatos dependem do material escolhido um sapato de cromo alemão, por exemplo, custa cerca de R$ 700. Segundo Waldinea, é importante lembrar que por ser sob medida o calçado é quase uma peça única. Na fábrica também é possível encontrar à venda modelos prontos.


Mulheres preferem fazer os calçados de festa
  As mu­lhe­res tam­bém apre­ciam um sa­pa­to sob me­di­da, prin­ci­pal­men­te os de fes­ta. Nor­ma Ra­mos tem fá­bri­ca em Lon­dri­na há 30 ­anos e há 10 ­abriu uma lo­ja. ‘‘Co­me­ça­mos aten­den­do em ca­sa, fo­mos cres­cen­do e ti­ve­mos que ­abrir a lo­ja. Ho­je te­mos qua­tro fun­cio­ná­rios na fá­bri­ca e pro­du­zi­mos em mé­dia 200 pa­res por mês.’’ A em­pre­sa tra­ba­lha com cou­ro e tam­bém te­ci­dos, as prin­ci­pais con­su­mi­do­res são noi­vas. O pre­ço va­ria con­for­me o nú­me­ro, mo­de­lo e ma­te­rial uti­li­za­do, mas fi­ca en­tre R$ 120 e R$ 130. Se­gun­do Nor­ma, os va­lo­res são um pou­co ­mais al­tos que os de mer­ca­do por ser um sa­pa­to de ris­co. ‘‘Nós ti­ra­mos a me­di­da e fa­ze­mos o sa­pa­to, se quan­do a pes­soa ­vier bus­car ti­ver al­gum pro­ble­ma te­mos que fa­zer ou­tro e per­de­mos aque­le. Às ve­zes a pes­soa não con­se­gue en­ten­der que não é ­igual fa­zer um rou­pa que vo­cê po­de fa­zer ­ajustes’’, in­for­ma.
  Nor­ma ex­pli­ca que se o sa­pa­to for ser usa­do à noi­te o ­ideal é ti­rar a me­di­da à tar­de por­que os pés ten­dem a in­char. Ela con­ta que a maio­ria das clien­tes pro­cu­ra a lo­ja quan­do tem al­gu­ma fes­ta e ­quer um sa­pa­to ­mais con­for­tá­vel que pos­sa ser usa­do a noi­te to­da. E nor­mal­men­te to­mam co­nhe­ci­men­to do ser­vi­ço por in­ter­mé­dio de al­guém que já co­nhe­ce o tra­ba­lho. ‘‘O bo­ca a bo­ca é nos­sa ­maior pro­pa­gan­da, a maio­ria vem por in­di­ca­ção de al­gum clien­te. No ca­so das noi­vas os es­ti­lis­tas já co­nhe­cem nos­so tra­ba­lho e tam­bém in­di­cam.’’
  Ou­tras clien­tes co­muns são as que cal­çam nú­me­ros mui­to pe­que­nos ou gran­des, co­mo por exem­plo 29 ou 42 es­pe­cial, ou têm ou­tros pro­ble­mas com um pé ­maior que ou ou­tro. ‘‘Te­nho uma clien­te que em um pé o sal­to é de oi­to cen­tí­me­tros e no ou­tro ­três por­que ela te­ve pa­ra­li­sia na in­fân­cia e uma per­na fi­cou ­mais cur­ta.’’
  Se­gun­do Nor­ma, as pes­soas es­co­lhem a cor do cal­ça­do em um mos­truá­rio, o mo­de­lo po­de ser ti­ra­do da in­ter­net ou a clien­te po­de tra­zer. O sa­pa­to le­va em mé­dia 15 ­dias pa­ra fi­car pron­to. Pa­ra ­quem não tem pa­ciên­cia pa­ra es­pe­rar um sa­pa­to sob me­di­da a lo­ja tem op­ções a pron­ta en­tre­ga. (C.P.)

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