São Paulo tem maior desemprego desde 1985
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quarta-feira, 28 de maio de 2003
Ivone Portes<br> Agência Folha 
São Paulo A taxa de desemprego total da região metropolitana de São Paulo voltou a subir em abril e atingiu 20,6% da População Economicamente Ativa (PEA), segundo dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) realizada pelo Seade/Dieese. Foi o quarto mês consecutivo de aumento na taxa de desemprego, que atingiu o maior patamar desde que a pesquisa começou a ser realizada, em 1985. Em março último, a taxa havia ficado em 19,7% e, no mesmo mês de 2002, em 20,4% da PEA.
No mês passado, 110 mil pessoas passaram a fazer parte do contingente de desempregados na região metropolitana de São Paulo. Esse aumento é explicado pela incorporação de 129 mil pessoas à PEA, número bastante superior às 19 mil novas ocupações geradas em abril.
Segundo estimativa do Seade/Dieese, 1,941 milhão de pessoas estavam desempregadas em abril. O contingente de ocupados, por sua vez, era formado por 7,483 milhões de trabalhadores. Para o Seade/Dieese, o comportamento do mercado de trabalho em abril é típico para o período, quando ainda estão sendo fechados postos criados nos últimos meses do ano anterior.
Houve aumento de desemprego no mês passado em praticamente todos os segmentos populacionais, com destaque para os grupos formados por pessoas com idade entre 25 e 39 anos, cuja ampliação foi de 10,6%. O nível de ocupação teve leve variação de 0,3% de março para abril. A indústria e o setor de serviços abriram 3.000 vagas cada, enquanto o comércio fechou 49 mil postos. Outros setores, principalmente o de serviços domésticos, foram responsáveis pela criação de mais 62 mil vagas.
Para Sérgio Mendonça, diretor técnico do Dieese, o desempenho do ano já está praticamente comprometido. ''A partir de agora, qualquer movimento de redução do juro vai ter efeito sobre o emprego somente no último trimestre do ano'', disse ele. Isso, segundo Mendonça, se não ocorrerem choques externos.
''Não há geração suficiente de postos de trabalho porque a economia está estagnada'', acrescentou ele. O comércio fechou 49 mil vagas no mês passado. Segundo Mendonça, esse movimento é resultado do juro alto (26,5% ao ano), baixa renda e escassez de crédito.
O setor de serviços, responsável por 50% do total das ocupações na região, gerou apenas 3.000 vagas em abril. Na indústria, também foram gerados somente 3.000 postos. Outros setores, principalmente o de serviços domésticos, foram responsáveis pela criação de mais 62 mil vagas.
Mendonça disse ainda que o aumento do desemprego em abril em relação aos primeiros meses do ano já era esperado. Trata-se de um movimento sazonal, segundo ele.
As pessoas que deixaram o mercado de trabalho em janeiro e fevereiro, normalmente voltam a buscar emprego em março e abril. Além disso, há a entrada de novas pessoas na PEA no período. ''Ao longo do ano as pessoas vão voltando para o mercado de trabalho, só que em março é abril é mais difícil gerar emprego'', disse.


