Rio de Janeiro - O bom desempenho do mercado de trabalho de São Paulo evitou um aumento maior da taxa de desemprego em março nas seis regiões metropolitanas pesquisadas pelo IBGE. A taxa subiu para 10,8% no mês, ante 10,6% em fevereiro, variação que não é considerada ''estatisticamente significativa'' pelo instituto. O rendimento manteve a recuperação e o aumento do número de trabalhadores com carteira assinada (6,2%) foi o maior desde o início da série histórica, em março de 2003.
Em março do ano passado a taxa de desemprego foi bem superior, de 12,8%. O coordenador da pesquisa mensal de emprego, Cimar Azeredo Pereira, sustenta que a taxa tende a cair mais rápido neste ano do que no ano passado, quando começou a recuar em maio e chegou a um dígito em dezembro. Apesar do prognóstico, ele reconhece que a taxa ''ainda é muito alta''. ''Mas, em relação a anos anteriores, a economia tem apresentado evolução que está se refletindo no mercado de trabalho''.
Marcelo de Ávila, analista de mercado de trabalho do Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) também observou uma evolução no cenário do emprego em março. Para ele, a melhoria pode ser traduzida tanto no aumento do número quanto na qualidade das vagas criadas, já que o trabalho formal registrou crescimento.
Formalidade - Pereira avalia que a qualidade do mercado de trabalho está melhorando, mas ainda não houve uma evolução suficiente para garantir que mais de 50% dos ocupados estejam no mercado formal. A participação dos empregados com carteira no total de ocupados nas seis regiões pesquisadas foi de 40,3% em março deste ano. O número de trabalhadores sem carteira também cresceu (5,7%) no mês ante março de 2004, mas os por conta própria - também considerados informais pelo IBGE - caíram 3%.
Outro exemplo citado por Pereira como melhoria da qualidade é o aumento de 0,5% no rendimento médio real em relação a fevereiro e de 1,5% ante março de 2004. A renda média foi de R$ 945,20 no mês, ainda bem inferior ao patamar de julho de 2002 (R$ 1.098,80), o maior da série histórica da pesquisa.
São Paulo - A região metropolitana de São Paulo manteve a taxa de desemprego inalterada em março (11,5%) na comparação com fevereiro, mas apresentou uma forte redução ante março do ano passado (14,6%). Além disso, São Paulo, que responde por 42% do total de ocupados, foi praticamente a única região responsável pelo aumento do número de ocupados na média das seis regiões.
A população ocupada na região cresceu 1,5% em março ante fevereiro, com acréscimo de 123 mil novas vagas no período, ou quase o total das 129 mil novas vagas geradas nas seis regiões. Na comparação com março do ano passado, o número de ocupados em São Paulo cresceu 6%, ou 472 mil novas vagas, bem mais da metade das 742 mil novas vagas geradas nas seis regiões no período. A maior parte dos empregos foi criada na indústria e no grupo de educação, saúde e administração pública.

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