São Paulo - São Paulo deixou de ser a locomotiva do país e vive um momento de estagnação da economia e, por consequência, da geração de emprego. O Estado onde migrantes de todas as regiões do país buscavam oportunidades no passado já não absorve mão-de-obra e registra um dos maiores números de ''exportação'' de trabalhadores.
Em contrapartida, as regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, que se desenvolveram mais nos últimos 15 anos, não apresentam resultados tão positivos de forma a equilibrar o emprego no país. Pelo contrário, onde há geração de vagas, principalmente em locais com atividades de agropecuária, também há aumento do desemprego, em função da migração desordenada.
Os dados estão no estudo inédito ''Nova geoeconomia do emprego no Brasil: um balanço de 15 anos nos Estados da federação'', do economista Marcio Pochmann, coordenador técnico do Instituo DataSOL.
O trabalho reúne informações sobre a evolução do PIB, do emprego, da migração e da PEA (População Economicamente Ativa) por Estado e por região do país, de 1990 a 2005.
Entre 1990 e 2005, o Pará foi o Estado com maior geração de emprego proporcional, com alta de 5,43%, incluindo trabalho formal e informal. Na sequência vêm Mato Grosso (4,38%) e Amazonas (4,14%). São Paulo ocupa o 15º lugar com aumento de 1,77% nas vagas o Rio está em 22º, com alta de apenas 0,85%. A média nacional é de 2,32%.
Ainda assim, a PEA cresceu mais do que o mercado de trabalho pode absorver e o desemprego aumentou em todos os Estados, mesmo em regiões como Norte e Centro-oeste, onde houve expansão da economia e o PIB por trabalhador na ativa cresceu mais.
A taxa de desemprego subiu 15,27% no Mato Grosso, de 1999 a 2005, e 15,15% no Amazonas, no mesmo período. São Paulo registrou alta de 11,42% e o Rio de Janeiro de 8,43%.
Segundo Pochmann, isso ocorre porque a população migra e acaba gerando mais demanda de emprego do que a região ofertaria. Isso também derruba os rendimentos.
Na região Norte, apesar do PIB por ocupado ter crescido 2,15%, os rendimentos caíram 37,95%, de 1990 a 2005.
No Sudeste, o PIB por ocupado cresceu 1,11%, mas o rendimento caiu 8,53% e, no Centro-oeste, o PIB por ocupado subiu 20,79%, mas os rendimentos caíram 5,21%.

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