O Banco Santander, uma das seis instituições financeiras que pediu pré-qualificação para comprar o Banestado, tem interesse ‘‘médio’’ na compra do banco paranaense. O comunicado faz parte do relatório reservado de julho que o Santander prepara com base em estimativas e opiniões de fontes ligadas ao banco. Segundo o documento, que é encaminhado a investidores, o Santander tem interesse ‘‘estratégico’’ na Região Sul, onde não há tanta competição quanto no Sudeste, mas prefere o Banestado ao Besc (Banco do Estado de Santa Catarina), este considerado muito restrito e inserido num mercado pequeno em relação a São Paulo e Paraná.
O problema que o Santander aponta em relação ao Banestado é o fato de ter ocorrido adiamento na venda em função do Banespa, o que também ‘‘vai minando a confiança do setor privado, principalmente em potenciais problemas previdenciários e trabalhistas’’. O Santander coloca como ponto positivo para a compra do Banestado a isenção de compulsórios, o que será confirmado quando os interessados na compra terão acesso às informações sigilosas (data room).
O Santander avalia que será necessário investir em tecnologia, além de ter de fazer ‘‘grandes’’ provisões trabalhistas para demissões que ‘‘são inevitáveis’’. Na avaliação divulgada aos investidores, se não houver garantias na privatização das instituições estaduais, os bancos privados vão se interessar mais pelos bancos privados de porte médio passíveis de venda.
Os comentários em relação ao Banestado são mais amenos em relação à opinião sobre a venda do Banespa. O Santander critica a demora e as complicações para se viabilizar o leilão de privatização, que já foi adiado 64 vezes, desde 1964, devido a enxurrada de liminares. Para o Santander, falta ‘‘vontade política’’ para viabilizar a venda do banco paulista. ‘‘Os bancos privados não vão esperar o Banespa para sempre, ou em muitos casos, simplesmente já não acreditam na sua privatização mais’’, diz o documento.
O Santander admite que o Banespa foi o banco mais cobiçado de todo o sistema financeiro. O banco faz um alerta ao dizer que é preciso privatizar o Banespa no máximo até 2001, senão ‘‘será mais fácil juntá-lo ao bolo de bancos federais sob estudo’’. O Santander informa que o Banespa perde valor a cada dia e que até em contas correntes já é superado pelo Nossa Caixa Nosso Banco, com 3,2 milhões contra 2,9 milhões do Banespa.
O Santander diz que o governo deveria restabelecer incentivos para atrair compradores para Banestado e Besc, devido ao fracasso das vendas do Banespa e do Banco do Estado do Maranhão, que não teve comprador. ‘‘Os incentivos são importantes para evitar que estes bancos voltem a ser utilizados como instrumentos de política econômica’’, diz o relatório, ao lembrar que nas décadas passadas os bancos estaduais foram ‘‘fundamentais para o descontrole fiscal e monetário’’ no País. O governo federal já gastou R$ 100 bilhões para sanear e preparar para a privatização os bancos estaduais.

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