Quanto mais perto do cliente, melhor é o atendimento, mais rápida a entrega do produto e mais fácil de identificar suas necessidades. Estratégias de mercado que a indústria de tecido cearense, Santana Textil do Brasil, levou ao pé da letra. Há dois meses a marca inaugurou uma nova sede em Rondonópolis (MS) para atender melhor os clientes da região sul do País. ''Em termos de marketing já atuávamos em todo o Brasil, mas em termos de produto, os mercados do norte e nordeste, por conta da localização da empresa com sede no Ceará, eram melhor atendidos'', disse a coordenadora de marketing de moda da Santana, Iorrana Aguiar.
Iorrana esteve em Londrina, ontem, para ministrar palestra dentro do circuito 9º Café Premiére, promovido pela própria empresa. O evento percorre diversas cidades do País para apresentar, desmitificar e democratizar a moda. ''Não tratamos apenas de tendências, explicamos tecnicamente a composição dos tecidos, instigamos os participantes e tentamos entender o que as pessoas querem e esperam de uma roupa'', completou ela.
Em entrevista à Folha, a coordenadora da Santana Textil falou sobre moda, tendências, mercado brasileiro de jeans e destacou o pólo de confecção do Paraná. Ela contou que a instalação da nova sede em Rondonópolis veio de encontro a uma necessidade de mercado. Até então, os outros três parques industriais da empresa - um em Horizonte (CE) e outros dois em Natal (RN) - atendiam com mais facilidade as regiões norte e nordeste do País. ''A logística nos facilitava a atender esses mercados. Agora, com a fábrica em Rondonópolis, ampliamos nosso foco para o sul. Acreditamos no potencial de moda desta região'', afirmou Iorrana.
Segundo ela, o projeto foi fundamentado pela necessidade de mercado. ''A região é um ótimo mercado, mas estávamos longe, então, perdíamos clientes para os concorrentes'', frisou. Agora o volume de produção, que era em média de seis milhões de metros de tecido por mês, aumentará em mais um milhão com a fábrica matogrossense. ''Rondonópolis também tem a vantagem de ter produção de algodão bem próxima da cidade'', comentou.
A Santana Textil produz denim (jeans) e fios, atendendo estilistas e marcas nacionais. A empresa também tem previsão de até o final do ano instalar um parque industrial na Argentina, para atender os países do Mercosul.
Sobre as especificidades de cada região, Iorrana destacou que as diferenças e preferências acontecem, mas existe uma coisa maior que é a globalização. ''Lá na Europa um jovem usa o mesmo tecido de um jovem daqui do Brasil. Não existem mais diferenças tão aberrantes'', disse ela.
Em relação ao destaque de Londrina, Maringá e Cianorte no mercado de confecção - cidades incluídas no circuito 9º Café Premiére - a coordenadora da Santana ressaltou que são cidades onde as pessoas valorizam o que é bom e os produtos que têm qualidade. ''Londrina, por exemplo, é um mercado onde a gente tem que oferecer o que há de melhor, pois existe informação, as pessoas sabem o que querem, são interessadas. A gente percebe isso pelas palestras que ministramos'', acrescentou Iorrana.

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