Numa reunião entre governo, técnicos sanitários e representantes de produtores e agroindústrias, ficou resolvido ontem que Santa Catarina não vai vacinar seu rebanho novamente contra a febre aftosa. O encontro decisivo aconteceu à tarde, na cidade de Concórdia, a 500 km a oeste de Florianópolis. Segundo o secretário de Agricultura do Estado, Odacir Zonta, a decisão foi unânime. Também ficou acertado que a vigilância e as entidades estarão de prontidão, avaliando o risco de contaminação.
A decisão está sendo tratada pelo secretário como final, só que as coisas podem mudar a partir de amanhã, durante a reunião do Circuito Pecuário Sul, que se estende até domingo em Florianópolis. Zonta espera que a palavra dos catarinenses seja respeitada no encontro entre Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná, Estado que não integra o Circuito, mas que foi convidado para a discussão do assunto.
A decisão de não vacinar o rebanho catarinense foi tomada em função do mercado, que não aceita produtos de origem animal onde o gado esteja sendo vacinado. Como haveria o risco de perder negócios com o exterior - crescem cada vez mais as exportações de carne suína e de frango catarinenses -, o grupo reunido na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) concluiu que essa não é a hora de retomar a vacinação.
Nem mesmo a palavra do ministro da Agricultura, Marcus Vinícius Pratini de Moraes, de que a vacinação contra a aftosa nas fronteiras com Argentina e Uruguai não põe em risco o status de zona livre da doença sem vacinação, já que ela ocorreria apenas em algumas áreas, foi suficiente para mudar a visão dos catarinenses. Mesmo decididos a não vacinar, eles estão solidários com os gaúchos, que na próxima semana começam o trabalho com seu rebanho na fronteira.

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